sábado, 19 de maio de 2018

Entediante Brevidade

20/05/2018 - 00:09

Se faz necessário declarar que a brevidade não acalma o tédio. Eu levei muito tempo para perceber. Tempo esse, muitas vezes, apenas preenchido por essa tal brevidade. futilidades que dão petiscos para a minha necessidade de platéia, aquele sutil reconhecimento, aquela lembrança da minha pessoa mais longínqua. Não é preciso muito para satisfazer a minha vontade de atenção. No entanto essa atenção é facilmente entediada. Isso eu reconheci a muitos anos. O novo e o surpreendente são situações que eu tenho que estar envolvido emocionalmente. E o mais contraditório de tudo isso, é que me apego fortemente às coisas antigas e ainda com mais vigor aos sentimentos antigos. Eles são como uma âncora na minha vida emocional, mas não uma âncora que me puxa freneticamente para baixo, e sim um tipo de rebaixamento intelectual que estacionou no fundo do poço e lá ficou, estagnado e sem reações prudentes. Esses apegos também me fazem ter atitudes impulsivas que seriam facilmente evitadas com uma tranquilidade adquirida em uma vida mais moderada.

Nos últimos dias, o descanso mental que eu havia perseguindo com sucesso não é mais o suficiente. Estou atônito. Não consigo refletir direito sobre nada. Me sinto um viciado em morfina, onde esse medicamento não para de ser injetado em mim. Nada importa, nada é relevante o suficiente para me fazer ter algum tipo de reação. As mundanças perceptíveis são apenas o dormir e o acordar. Está sendo um desperdício triste e creio logo agonizante se eu não tomar uma atitude de verdade e enfrentar meus receios "invisíveis".

A perplexidade com que eu vejo os dias passarem só reforçam a minha teoria de nostalgia. Como disse, a relevância das coisas me parecem inúteis demais para me dispôr a entrar em ação de alguma maneira. Eu preciso de um desafio que satisfaça minhas necessidades emocionais. Preciso de uma competitividade de conversas sem julgamentos; uma franqueza nas palavras sem ressentimento. Busco o olhar desviado e encarado, alternando entre timidez e curiosidade em uma conversa empolgante e inteligente. Algo que eleve meu ego de um jeito único, não muito, mas cintilante. Sentir a pureza nas palavras. Mesmo indo em luta atrás disso, fica claro que vai demorar à acontecer. Isso é desanimador. Só ressalta que minha verdadeira companhia é o silêncio escuro do meu quarto. Os desafios fogem e continuarão a fugir de mim. E poderiam até observar que isso é uma aceitação cômoda, mas de fato não é. Um cansaço foi alcançado e isso fez com que o deslize de se importar e de não ver significância nas coisas me deixassem paralisado. Onde em muitas ocasiões ser mais seguro para todos que mantenham distância do meu isolamento persistente para não serem contaminados com os enigmas intelectuais e as armadilhas de dedução que eu sou e que pode afetar fortemente um caráter. A saída mais prudente é a solidão extrema. Isso talvez seja minha última cartada, porque a rotina das coisas ao meu redor tem sido cada vez mais inoportunas e incômodas. O barulho, a claridade, as palavras que chegam até mim são derradeiras dores para meu espírito.

Que os próximos capítulos da minha vida ditem com proficiência em prol de uma reviravolta, digamos, mirabolante de todas as minhas emoções angustiantes que venho enfrentando.

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