08/05/2018 - 14:05
Regredi aos primórdios da solidão e isolamento. Meu novo local de hibernação mental ainda não tem nome, como da última vez que me desviei de tudo fora de um cômodo pequeno e triste, intitulado, na época, de fortaleza de risos e choro. Não vou me apegar a nomenclaturas por enquanto. As diferenças estão na tecnologia. Hoje tenho isso a meu favor. Um notebook de última geração, um celular que atende as minhas necessidades obsessivas e uma internet burlada a meu favor, porém não eficaz como eu gostaria. No entanto, estou mais receptivo do que na minha última fase de isolamento, então um mero detalhe como a velocidade de uma conexão wi-fi não chega a ser um empecilho.
Outra grande diferença das fases de solidão é a minha criatividade. Na primeira, eu a tinha a meu favor, tinha também a ansiedade gritante, a vontade de ser tudo e nada ao mesmo tempo; hoje, sou apático na maior parte do dia e triste nas horas restantes. Claro, há dias que essa equação dividida do meu dia se invertem e são nesses momentos que o desespero toma conta. Para alguém como eu, onde desde os meus 13 anos todas as sensações e emoções são de uma intensidade exorbitante, chegar aos dias atuais e se deparar com uma rotina que o mais predominante é a apatia, está sendo um grande dilema.
A questão que de fato está clara como sendo um incômodo para meu intelecto, é não saber exatamente o que estou sentindo e refletindo na minha rotina monótona. Antes, o problema de querer ser tudo e nada ao mesmo tempo eu conseguia me acostumar e, inconscientemente, aceitava por dias buscar ser algo na vida: um escritor, alguém perspicaz na arte da dedução, um aspirante a músico, um conselheiro muito bom, modéstia à parte - isso para citar alguns exemplos mais evidentes em minha memória. Hoje eu não nego, em pequenos momentos tenho anseios de mudanças e sutis aspirações de importância para minha pessoa, digamos que uma pequena necessidade de ser notado por algo brilhante que saia de mim de alguma forma. Porém, esses anseios que antes duravam dias, as vezes dias incontáveis, atualmente eles dificilmente ultrapassam os minutos. E notei a sensação após essas pequenas aspirações: é um cansaço e um pequeno desdém sobre tal. De fato não sei dizer o porque dessa alternância abrupta de, enunciemos, uma vida saudável à obsoleta prostração.
A mais recente mudança digna de menção, são os pesadelos. Tive alguns dias que o melhor, sem sombra de dúvidas, para meu estado mental no dia em si era dormir longas horas na esperança de que ao acordar, com uma mente descansada, os pensamentos tristes ou até mesmo a apatia teria se modificado de alguma forma. Nunca, em hipótese alguma, usei ou pensei sobre o sono como uma cura da apatia, sempre foi encarado como um curativo, que talvez a partir dele eu conseguiria formular novos pensamentos que me tirariam daquele torpor intelectual que me aprisionava.
Nos dias atuais eu também tenho uma nova preocupação: o tempo, mais especificamente a idade. Em pequenos relapsos onde minha mente é levada ao futuro, me sinto sufocado com a ideia de finalmente me entender e encontrar meu caminho tarde demais e ter deixado uma vida inteira ter passado entre meus dedos.
Antigamente eu também tinha a falha de me cobrar mais do que deveria. Nunca existiu um crítico e um rígido professor para mim do que eu próprio. Agora, no ano de 2018, eu não me pleiteio com tanto afinco.
O que dizer sobre onde e como estou? É um quarto mal arquitetado, onde tive que adaptar os móveis de forma rudimentar e que mesmo após quase 8 meses enclausurado aqui, é um local que ainda não atende minhas predições mentais em prol da melhoria e o avanço de minhas faculdades mentais. Mas eu sei que também podemos encontrar avanços em meio ao caos, senão, em alguns casos, somente nele. Provavelmente se um pouco da minha criatividade da primeira fase de isolamento voltasse, eu conseguiria transformar esse lugar um pouco mais promissor, talvez mais estimulante, como uma distração, uma ponte para que minha mente tenha o foco exato para que eu consiga novamente aprender a dar meus primeiros passos no mundo. Ficarei grato se isso acontecer.
Enfim, me auto examinando após essa última estrofe transcrita, direcionando meu olhar para a janela fechada do quarto, na claridade da tarde entre os vãos, sinto os olhos pesados, um olhar triste e desanimado. Voltamos a apatia e a sua arqui-inimiga tristeza numa altercação que parece interminável.
Regredi aos primórdios da solidão e isolamento. Meu novo local de hibernação mental ainda não tem nome, como da última vez que me desviei de tudo fora de um cômodo pequeno e triste, intitulado, na época, de fortaleza de risos e choro. Não vou me apegar a nomenclaturas por enquanto. As diferenças estão na tecnologia. Hoje tenho isso a meu favor. Um notebook de última geração, um celular que atende as minhas necessidades obsessivas e uma internet burlada a meu favor, porém não eficaz como eu gostaria. No entanto, estou mais receptivo do que na minha última fase de isolamento, então um mero detalhe como a velocidade de uma conexão wi-fi não chega a ser um empecilho.
Outra grande diferença das fases de solidão é a minha criatividade. Na primeira, eu a tinha a meu favor, tinha também a ansiedade gritante, a vontade de ser tudo e nada ao mesmo tempo; hoje, sou apático na maior parte do dia e triste nas horas restantes. Claro, há dias que essa equação dividida do meu dia se invertem e são nesses momentos que o desespero toma conta. Para alguém como eu, onde desde os meus 13 anos todas as sensações e emoções são de uma intensidade exorbitante, chegar aos dias atuais e se deparar com uma rotina que o mais predominante é a apatia, está sendo um grande dilema.
A questão que de fato está clara como sendo um incômodo para meu intelecto, é não saber exatamente o que estou sentindo e refletindo na minha rotina monótona. Antes, o problema de querer ser tudo e nada ao mesmo tempo eu conseguia me acostumar e, inconscientemente, aceitava por dias buscar ser algo na vida: um escritor, alguém perspicaz na arte da dedução, um aspirante a músico, um conselheiro muito bom, modéstia à parte - isso para citar alguns exemplos mais evidentes em minha memória. Hoje eu não nego, em pequenos momentos tenho anseios de mudanças e sutis aspirações de importância para minha pessoa, digamos que uma pequena necessidade de ser notado por algo brilhante que saia de mim de alguma forma. Porém, esses anseios que antes duravam dias, as vezes dias incontáveis, atualmente eles dificilmente ultrapassam os minutos. E notei a sensação após essas pequenas aspirações: é um cansaço e um pequeno desdém sobre tal. De fato não sei dizer o porque dessa alternância abrupta de, enunciemos, uma vida saudável à obsoleta prostração.
A mais recente mudança digna de menção, são os pesadelos. Tive alguns dias que o melhor, sem sombra de dúvidas, para meu estado mental no dia em si era dormir longas horas na esperança de que ao acordar, com uma mente descansada, os pensamentos tristes ou até mesmo a apatia teria se modificado de alguma forma. Nunca, em hipótese alguma, usei ou pensei sobre o sono como uma cura da apatia, sempre foi encarado como um curativo, que talvez a partir dele eu conseguiria formular novos pensamentos que me tirariam daquele torpor intelectual que me aprisionava.
Nos dias atuais eu também tenho uma nova preocupação: o tempo, mais especificamente a idade. Em pequenos relapsos onde minha mente é levada ao futuro, me sinto sufocado com a ideia de finalmente me entender e encontrar meu caminho tarde demais e ter deixado uma vida inteira ter passado entre meus dedos.
Antigamente eu também tinha a falha de me cobrar mais do que deveria. Nunca existiu um crítico e um rígido professor para mim do que eu próprio. Agora, no ano de 2018, eu não me pleiteio com tanto afinco.
O que dizer sobre onde e como estou? É um quarto mal arquitetado, onde tive que adaptar os móveis de forma rudimentar e que mesmo após quase 8 meses enclausurado aqui, é um local que ainda não atende minhas predições mentais em prol da melhoria e o avanço de minhas faculdades mentais. Mas eu sei que também podemos encontrar avanços em meio ao caos, senão, em alguns casos, somente nele. Provavelmente se um pouco da minha criatividade da primeira fase de isolamento voltasse, eu conseguiria transformar esse lugar um pouco mais promissor, talvez mais estimulante, como uma distração, uma ponte para que minha mente tenha o foco exato para que eu consiga novamente aprender a dar meus primeiros passos no mundo. Ficarei grato se isso acontecer.
Enfim, me auto examinando após essa última estrofe transcrita, direcionando meu olhar para a janela fechada do quarto, na claridade da tarde entre os vãos, sinto os olhos pesados, um olhar triste e desanimado. Voltamos a apatia e a sua arqui-inimiga tristeza numa altercação que parece interminável.

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