quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Sem Passado? Sem Presente? Sem Futuro?
06/09/2018 - 11:00
A ausência de meus próprios pensamentos? Talvez uma busca de justificativa por não escrever a tanto tempo.
A vida nesses últimos meses foram torturantes. Se não houvesse um aquecimento em meu coração eu já não estaria mais aqui entre vocês, seres que respiram. A minha vida beirou o abismo dezenas de vezes. Eu me vi próximo à total escuridão centenas de vezes. Algumas vezes deitado nessa mesma cama em que escrevo; algumas vezes numa simples caminhada pelo bairro; outras a caminho de ajuda em um hospital. Me enfureci com o atendimento médico público desse país - uma vez até mesmo com o privado. Olhando o que foi feito da minha vida por mim mesmo nesses nove meses de 2018, eu acho pouco demais. As lembranças são escassas. Mas se eu começar a detalhar o que acometeu minha saúde a dedução seria oposta.
Atualmente costumo argumentar que após completar trinta anos de idade, a vida parece ter recomeçado de um jeito doloroso e punitivo. Quantas vezes eu não pensei em reencarnação. Não como uma forma de crença ou de mascarar a realidade, mas sim buscando um motivo do porque eu tenho sofrido tanto. Como refletir: "Na vida passada eu fui alguém que causou mal demais para muitas pessoas e para o mundo em si. Nessa vida, após os trinta anos, é chegado o momento em que a justiça deve ser feita e você vai sofrer a morte de mil pessoas que foram torturadas e ressuscitadas por cem vezes." Tolo, convenhamos. Mas também me faz refletir e entender que todo o sofrimento é real demais para ser transcrito de forma lógica. É necessário uma minúscula idealização do cúmulo e de ultrapassar a perspectiva de realidade para começar a entender a dor que sinto.
O meu psicológico está fortíssimo no quesito dor física, que é o que tem me acometido fortemente todos os dias. Sempre refleti e escrevi sobre a linha tênue de sanidade e insanidade. Ou, como eu dizia antigamente, a linha tênue entre o real e a insanidade. Me vi muitas vezes pensando nisso, nos dias em que a dor ultrapassava o que o meu corpo poderia suportar. Mas em nenhum momento eu duvidei sobre decair minha mente sã para o lado do esquecimento e devagar ir me entregando ao devaneio que é a insanidade mental.
A realidade tem dado fortes socos na minha face, e eu ainda estou de pé. Se os melhores guerreiros são os que apanham muito e ainda permanecem de pé, então o troféu é meu. Mas uma coisa eu sinto necessidade de expressar: o retorno dessa surra que tenho tomado pode vir a qualquer momento. Quando isso acontecer, não pedirei desculpas pelos seus pés machucados de pisarem nos cacos de vidro que deixei para tráz após minha ressurreição da dor física para o triunfo das conquistas morais desse mundo. Em que evidencio acomodar meu coração naquela garota que o manteve vivo e forte até hoje.
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