segunda-feira, 14 de maio de 2018

Anelante Cansaço

14/05/2018 - 23:01

Por hora, decidi aceitar minhas dores de cabeça. Estou tão isolado que começo a me ressentir em continuar buscando ajuda. Admito que em meses com essas dores, basicamente já me acostumei, não inteiramente, claro, porque há momentos que ela me impede de fazer certas coisas. Ainda me lembro de quando buscava propositadamente ir de frente com meus medos. Eu estava convicto a vencer todos. Hoje me sinto muito cansado para buscar uma melhora na vida social. Estou à deriva, aguardando o fim derradeiro. Penso muito nisso mas também acredito que possa ter algo grandioso a minha espera; algo que me virará dos avessos e fará com que eu grite ao mundo que a vida é bela.

Em quantos monólogos antigos eu escrevi sobre felicidade, deixando claro que para tentar mantê-la ao máximo devemos andar na linha tênue de fantasia e realidade. A realidade é dolorida demais; a fantasia é a beleza que vemos nos olhos de quem amamos. Essa ambiguidade chamada amor fica além das duas e é onde mora e sempre irá morar a nossa alegria e entusiasmo de viver.

Eu tinha sonhos. Meus sonhos eram gigantes. Depois eles se tornaram menores porque eu os queria em minhas mãos o quanto antes. Hoje eu espero... Espero a vida passar. Olho incansavelmente o relógio todos os dias, vejo cada minuto passar, e mesmo tão atencioso com ele, perco o alvorecer do dia e o resplandecer da lua. Entendo que os números se repetindo dia após dia nada mais são do que as regras da vida moderna que somos submetidos a aceitar e seguir rigorosamente. Um mínimo deslize faz com que sejamos variegados e exclusos. Para uma mente que não consegue se esconder e seguir tais regras, o refúgio na solidão e no isolamento parece ser a resposta mais viável para a saúde mental. Já tentei por muitas vezes buscar a alegria no meu dia a dia, deixar de lado minhas incertezas e pequenas inseguranças em prol de algo maior - mais valioso. E novamente regredi ao cansaço e enterrei meu corpo em uma cova rasa, onde periodicamente ou eu retiro um pouco da terra, ou vou até lá com uma pá e cavo mais fundo. Teve momentos que por mais que eu escavasse eu não encontraria o sopro da minha vida. Outros momentos eu até tropeçava em mim mesmo ao caminhar pela terra. E em nenhum momento de dor excruciante, seja física (como atualmente) ou emocional, eu me ergui da terra molhada e senti a garoa em meu rosto me dizendo que estou vivo.

O cansaço está ficando cada vez mais intenso. Mesmo no isolamento, aceitar certas coisas está fazendo com que eu engasgue com as lágrimas. A falta de resposta e o mal tratamento para comigo me machuca até nos sonhos. Dormir tem sido um martírio. E por mais que eu tenha ciência, algo dentro de mim se recusa a aceitar que certas coisas da vida podem não ter respostas que chegam até nós; e é assim, ponto final. E como já foi dito, eu tenho essa necessidade gritante de resposta para um tipo de acalento intelectual. Porque um sono merecido é resultado de um dia bem moderado. Isso me falta; isso me dói; isso me corrói com o passar dos dias. Voltarei a sorrir sem me arrepender?

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