23/10/2018 - 18h30
Escolha lingerie fashion; numa tentativa vã de dar vida a um relacionamento morto.
Escolha bolsas; escolha sapatos de salto alto, caxemira e seda para fazer você achar que se sente feliz.
Escolha um IPhone feito na China por uma mulher que pulou da janela e enfie-o no bolso do seu casaco recém chegado de uma arapuca no sul da Ásia.
Escolha Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram e um milhão de outros modos de vomitar o seu ódio sobre pessoas que você nunca viu na vida.
Escolha atualizar o seu perfil; diga ao mundo o que comeu no café da manhã e torça para que alguém, em algum lugar, se importe.
Escolha procurar antigas paqueras, desesperado para acreditar que você não esteja tão velho quanto eles.
Escolha se expor ao vivo do seu primeiro momento íntimo até seu último suspiro. A interação humana reduzida a nada mais do que dados.
Escolha dez coisas que não sabia sobre famosos que fizeram cirurgias.
Escolha gritar sobre aborto.
Escolha piadas sobre estupro, promiscuidade feminina, pornografia vingativa e toda uma onda depressiva de misoginia.
Escolha que o 11/09 nunca aconteceu, e se aconteceu, foram os judeus.
Escolha um contrato de 0h e uma jornada de 2h para o trabalho. E escolha o mesmo para seus filhos, só que pior. E talvez eles te digam que seria melhor se não tivessem nascido.
Depois relaxe, e alivie a dor com uma dose desconhecida de uma droga desconhecida feita numa cozinha qualquer.
Escolha promessas não cumpridas e deseje ter feito tudo diferente.
Escolha nunca aprender com os seus próprios erros.
Escolha observar a história se repetir.
Escolha a lenta reconciliação com o que você pode conseguir, em vez do que sempre quis.
Contente-se com menos e finja que isso não importa.
Escolha a decepção.
E escolha perder aqueles a quem ama. Enquanto eles somem de vista, uma parte de você morre com eles. Até ver que, um dia no futuro, pouco a pouco, todos terão morrido. E não restará nada de você para chamar de vivo ou morto.
Escolha o seu futuro.
Escolha a vida.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Por Favor, Entendam
16/10/2018 - 23h04
Ter dor significa que muitas coisas mudam e muitas delas são invisíveis. Não é como ter câncer ou ter sofrido um acidente. A maioria das pessoas sequer tem qualquer entendimento sobre o que é viver com dor e seus efeitos, e para aqueles que acham que sabem... Ainda assim estão mal informados. Então, no espírito de informar aqueles que querem tentar entender, leiam!
Essas são pequenas coisas que eu gostaria que você entendesse antes de me julgar...
Por favor, entendam que “estar doente” não significa que eu não sou mais um ser humano. Eu tenho passado a maior parte dos meus dias com uma considerável dor e exaustão, e se você me visitar, algumas vezes, provavelmente, não serei o mais divertido das companhias. Mas esse “ainda sou eu” – só que agora preso nesse “corpo”. Eu ainda me preocupo e me ocupo com estudo, família, amigos e, na maioria das vezes, ainda me preocupo em ouvir seus desabafos também.
Por favor, entendam a diferença entre “feliz” e “saudável”. Quando você pega uma gripe, você provavelmente se sente meio miserável com isso. Eu tenho estado doente por muito tempo, e por isso mesmo não posso me dar ao luxo de estar miserável todo o tempo, ou eu não suportaria o meu dia a dia. O fato é que eu luto o tempo todo para não me sentir miserável. Então, se você está falando comigo e eu lhe pareço feliz, significa que eu estou feliz! Só isso. Mas não significa necessariamente que eu não esteja sentindo ainda assim muita dor; ou que eu não esteja extremamente exaurido, exausto; ou que eu esteja melhorando; ou qualquer dessas coisas.
Por favor, não diga: “Oh! Você parece que está melhor hoje!” ou ainda “Mas você está parecendo mais saudável.” Eu estarei tão somente fingindo. Eu estarei parecendo estar feliz simplesmente porque estarei tentando parecer “normal”. Se quiser fazer qualquer comentário, sintam-se a vontade! Welcome!
Por favor, entendam que ser capaz de ficar de pé por 10 minutos não significa necessariamente que eu seja capaz de suportar 20 minutos ou 1 hora. Só porque ontem eu consegui ficar de pé por 30 minutos, não significa que hoje eu consiga fazer o mesmo. Em uma série de outras doenças ou você fica paralisado totalmente ou você pode se mover. Com essa, você fica cada vez mais confuso a cada dia que passa porque você nunca sabe o que vai ser... Pode ser como efeito io-io. Eu nunca sei até que o momento ocorra, dia após dia, o que eu irei sentir quando acordar. Na maioria das vezes você nunca sabe e conta a expectativa minuto por minuto. Essa é uma das mais difíceis situações e um dos componentes de maior frustração da dor. Agora, por favor, substitua nesse parágrafo a ação “estar de pé” por “sentar”, “caminhar”, “pensar”, “se concentrar”, “ser sociável”, e por aí vai... Isso se aplica a quase tudo! Isso é o que a dor faz com você.
Por favor, entendam que a dor é variável. É quase possível (para muitos é até comum) que um dia eu me sinta totalmente disposto a dar uma volta pelo parque, ir e voltar andando do mercado, enquanto que no dia seguinte possa ter uma dificuldade enorme de ir do quarto à sala ao lado. Por favor, não me ataquem quando eu estou doente dizendo: “Mas você já fez isso antes!” ou ainda “Oh! Vamos lá! Eu sei que você pode!”. Se você realmente quer que eu faça alguma coisa, simplesmente pergunte se eu posso ou se eu suporto. De forma similar, talvez seja necessário que eu cancele compromissos agendados e no último instante. Se isso acontecer, não tome isso como nada pessoal. Se você for capaz, por favor, tente sempre se lembrar o quão sortudo você é por ser fisicamente capaz de fazer tudo e todas as coisas que você pode fazer.
Por favor, entenda que “sair e fazer coisas” nem sempre me fazem sentir melhor e frequentemente podem seriamente comprometer o meu estado e me deixar pior. Você não sabe o que eu passo, o que eu sinto e o quanto eu sofro sozinho nos meus privados momentos. Me dizer que preciso me exercitar ou fazer alguma coisa para manter a minha mente fora desse foco pode me frustrar até que eu me derreta em prantos. Simplesmente não é uma tortura justa. Não deveriam os senhores saber que se eu fosse capaz de fazer todas essas coisas não as estaria praticando?
Tenho trabalhado com “doutores” e tenho agido, creio, dentro das expectativas.
Outro atestado que dói é: “Você deveria se esforçar mais; tente ser mais forte!”
Obviamente, a dor pode atingir tanto todo o seu corpo como localizar-se em áreas específicas. Algumas vezes participar de uma simples atividade física, tanto por um curto ou por um longo período, pode causar mais lesões e dores físicas que vocês sequer tem noção de imaginar. Sem falar no tempo de recuperação que pode ser bem intenso. Você nem sempre pode ler isso no meu rosto ou na minha linguagem corporal. Outra coisa é que a dor talvez cause depressão de uma forma “secundária”. Você não ficaria depressivo e se sentindo para baixo se estivesse constantemente machucado por meses ou anos? Mas a dor não é uma criação da depressão! Trata-se justamente do oposto.
Por favor, entenda que se eu disser que eu preciso me sentar, deitar, ficar na cama ou tomar algumas pílulas agora, isso significa provavelmente que eu tenho que fazê-lo imediatamente. Não é coisinha que eu possa deixar de lado para daqui a pouco ou simplesmente esquecer porque eu estou em “algum lugar” ou “no meio de alguma coisa”. A dor não perdoa, muito menos espera que você encontre o “seu” tempo.
Se você quer sugerir uma “cura” para mim, por favor, não o faça! Não significa que eu não o aprecie ou que eu não me importe com a sua preocupação e muito menos significa que eu não queira muito ficar bom. Deus sabe que isso não é verdade! Mas é que tudo que vocês já ouviram ou tentaram, podem apostar que eu já me joguei de cabeça... Em tudo! E em alguns dos casos eu me tornei mais doente e sem melhoras.
Todas as tentativas envolvem efeitos colaterais ou reações alérgicas. E claro que quando falamos do fracasso delas, lidar com a crença e a decepção na maioria das vezes me faz sentir cada vez menor. Se existisse hoje algo que realmente curasse, ou que pelo menos ajudasse as pessoas que sentem como eu esse tipo de “dor", podem apostar que “nós” já saberíamos dela.
Existe uma grande rede mundial (dentro e fora da internet) de pessoas com dores. Se alguma coisa estivesse funcionando, creiam, nós saberíamos, ou posso lhes garantir que eu já saberia. Definitivamente, não é por negligência de tentativas. Se depois de ler isso, você ainda se sentir comedido a me sugerir a cura... Bem! Então vá em frente! Quem sabe sua teoria não gere algo que eu sinta que vale a pena argumentar. Agradeço de qualquer forma a boa intenção!
Se eu parecer sensível, provavelmente é porque estou. Não é como eu tento ser! De fato, eu tento arduamente ser normal. Espero que vocês compreendam. Eu tenho vivenciado, e ainda caminho por um processo, enfrentando um bocado! A dor é algo difícil de entender a não ser que você a tenha. É algo que quebra o corpo e a mente. É exaustiva e exacerbada. Quase todo tempo, eu sei que tenho dado o melhor de mim para me adaptar a isso e continuar com a minha vida usando a melhor das minhas habilidades: minha criatividade! Tudo que peço é para que você entenda isso e me aceite como eu sou.
Eu sei que você literalmente não pode entender minha situação a menos que você tenha caminhado com os meus sapatos. Mas da melhor forma possível, eu ainda peço que você tente entender de uma forma geral.
De muitas formas eu dependo de você – pessoas que não sentem dores constantes. Preciso que vocês venham me ver quando estou com muita dor para sair de casa. Outras tantas vezes, posso precisar de vocês para me ajudar a fazer compras, cozinhar, limpar, talvez eu precise de uma carona e uma companhia para ir ao médico ou ao mercado. Vocês são a minha conexão com uma vida normal. Vocês podem me ajudar a manter-me em contato com a parte da vida que eu perdi e que sinto falta... E que tenho total, sincera e profunda intenção de reaver um dia, tão breve me seja possível.
Sei que posso estar pedindo demais para vocês, mas agradeço por ter me escutado. Realmente, significa muito!
Ter dor significa que muitas coisas mudam e muitas delas são invisíveis. Não é como ter câncer ou ter sofrido um acidente. A maioria das pessoas sequer tem qualquer entendimento sobre o que é viver com dor e seus efeitos, e para aqueles que acham que sabem... Ainda assim estão mal informados. Então, no espírito de informar aqueles que querem tentar entender, leiam!
Essas são pequenas coisas que eu gostaria que você entendesse antes de me julgar...
Por favor, entendam que “estar doente” não significa que eu não sou mais um ser humano. Eu tenho passado a maior parte dos meus dias com uma considerável dor e exaustão, e se você me visitar, algumas vezes, provavelmente, não serei o mais divertido das companhias. Mas esse “ainda sou eu” – só que agora preso nesse “corpo”. Eu ainda me preocupo e me ocupo com estudo, família, amigos e, na maioria das vezes, ainda me preocupo em ouvir seus desabafos também.
Por favor, entendam a diferença entre “feliz” e “saudável”. Quando você pega uma gripe, você provavelmente se sente meio miserável com isso. Eu tenho estado doente por muito tempo, e por isso mesmo não posso me dar ao luxo de estar miserável todo o tempo, ou eu não suportaria o meu dia a dia. O fato é que eu luto o tempo todo para não me sentir miserável. Então, se você está falando comigo e eu lhe pareço feliz, significa que eu estou feliz! Só isso. Mas não significa necessariamente que eu não esteja sentindo ainda assim muita dor; ou que eu não esteja extremamente exaurido, exausto; ou que eu esteja melhorando; ou qualquer dessas coisas.
Por favor, não diga: “Oh! Você parece que está melhor hoje!” ou ainda “Mas você está parecendo mais saudável.” Eu estarei tão somente fingindo. Eu estarei parecendo estar feliz simplesmente porque estarei tentando parecer “normal”. Se quiser fazer qualquer comentário, sintam-se a vontade! Welcome!
Por favor, entendam que ser capaz de ficar de pé por 10 minutos não significa necessariamente que eu seja capaz de suportar 20 minutos ou 1 hora. Só porque ontem eu consegui ficar de pé por 30 minutos, não significa que hoje eu consiga fazer o mesmo. Em uma série de outras doenças ou você fica paralisado totalmente ou você pode se mover. Com essa, você fica cada vez mais confuso a cada dia que passa porque você nunca sabe o que vai ser... Pode ser como efeito io-io. Eu nunca sei até que o momento ocorra, dia após dia, o que eu irei sentir quando acordar. Na maioria das vezes você nunca sabe e conta a expectativa minuto por minuto. Essa é uma das mais difíceis situações e um dos componentes de maior frustração da dor. Agora, por favor, substitua nesse parágrafo a ação “estar de pé” por “sentar”, “caminhar”, “pensar”, “se concentrar”, “ser sociável”, e por aí vai... Isso se aplica a quase tudo! Isso é o que a dor faz com você.
Por favor, entendam que a dor é variável. É quase possível (para muitos é até comum) que um dia eu me sinta totalmente disposto a dar uma volta pelo parque, ir e voltar andando do mercado, enquanto que no dia seguinte possa ter uma dificuldade enorme de ir do quarto à sala ao lado. Por favor, não me ataquem quando eu estou doente dizendo: “Mas você já fez isso antes!” ou ainda “Oh! Vamos lá! Eu sei que você pode!”. Se você realmente quer que eu faça alguma coisa, simplesmente pergunte se eu posso ou se eu suporto. De forma similar, talvez seja necessário que eu cancele compromissos agendados e no último instante. Se isso acontecer, não tome isso como nada pessoal. Se você for capaz, por favor, tente sempre se lembrar o quão sortudo você é por ser fisicamente capaz de fazer tudo e todas as coisas que você pode fazer.
Por favor, entenda que “sair e fazer coisas” nem sempre me fazem sentir melhor e frequentemente podem seriamente comprometer o meu estado e me deixar pior. Você não sabe o que eu passo, o que eu sinto e o quanto eu sofro sozinho nos meus privados momentos. Me dizer que preciso me exercitar ou fazer alguma coisa para manter a minha mente fora desse foco pode me frustrar até que eu me derreta em prantos. Simplesmente não é uma tortura justa. Não deveriam os senhores saber que se eu fosse capaz de fazer todas essas coisas não as estaria praticando?
Tenho trabalhado com “doutores” e tenho agido, creio, dentro das expectativas.
Outro atestado que dói é: “Você deveria se esforçar mais; tente ser mais forte!”
Obviamente, a dor pode atingir tanto todo o seu corpo como localizar-se em áreas específicas. Algumas vezes participar de uma simples atividade física, tanto por um curto ou por um longo período, pode causar mais lesões e dores físicas que vocês sequer tem noção de imaginar. Sem falar no tempo de recuperação que pode ser bem intenso. Você nem sempre pode ler isso no meu rosto ou na minha linguagem corporal. Outra coisa é que a dor talvez cause depressão de uma forma “secundária”. Você não ficaria depressivo e se sentindo para baixo se estivesse constantemente machucado por meses ou anos? Mas a dor não é uma criação da depressão! Trata-se justamente do oposto.
Por favor, entenda que se eu disser que eu preciso me sentar, deitar, ficar na cama ou tomar algumas pílulas agora, isso significa provavelmente que eu tenho que fazê-lo imediatamente. Não é coisinha que eu possa deixar de lado para daqui a pouco ou simplesmente esquecer porque eu estou em “algum lugar” ou “no meio de alguma coisa”. A dor não perdoa, muito menos espera que você encontre o “seu” tempo.
Se você quer sugerir uma “cura” para mim, por favor, não o faça! Não significa que eu não o aprecie ou que eu não me importe com a sua preocupação e muito menos significa que eu não queira muito ficar bom. Deus sabe que isso não é verdade! Mas é que tudo que vocês já ouviram ou tentaram, podem apostar que eu já me joguei de cabeça... Em tudo! E em alguns dos casos eu me tornei mais doente e sem melhoras.
Todas as tentativas envolvem efeitos colaterais ou reações alérgicas. E claro que quando falamos do fracasso delas, lidar com a crença e a decepção na maioria das vezes me faz sentir cada vez menor. Se existisse hoje algo que realmente curasse, ou que pelo menos ajudasse as pessoas que sentem como eu esse tipo de “dor", podem apostar que “nós” já saberíamos dela.
Existe uma grande rede mundial (dentro e fora da internet) de pessoas com dores. Se alguma coisa estivesse funcionando, creiam, nós saberíamos, ou posso lhes garantir que eu já saberia. Definitivamente, não é por negligência de tentativas. Se depois de ler isso, você ainda se sentir comedido a me sugerir a cura... Bem! Então vá em frente! Quem sabe sua teoria não gere algo que eu sinta que vale a pena argumentar. Agradeço de qualquer forma a boa intenção!
Se eu parecer sensível, provavelmente é porque estou. Não é como eu tento ser! De fato, eu tento arduamente ser normal. Espero que vocês compreendam. Eu tenho vivenciado, e ainda caminho por um processo, enfrentando um bocado! A dor é algo difícil de entender a não ser que você a tenha. É algo que quebra o corpo e a mente. É exaustiva e exacerbada. Quase todo tempo, eu sei que tenho dado o melhor de mim para me adaptar a isso e continuar com a minha vida usando a melhor das minhas habilidades: minha criatividade! Tudo que peço é para que você entenda isso e me aceite como eu sou.
Eu sei que você literalmente não pode entender minha situação a menos que você tenha caminhado com os meus sapatos. Mas da melhor forma possível, eu ainda peço que você tente entender de uma forma geral.
De muitas formas eu dependo de você – pessoas que não sentem dores constantes. Preciso que vocês venham me ver quando estou com muita dor para sair de casa. Outras tantas vezes, posso precisar de vocês para me ajudar a fazer compras, cozinhar, limpar, talvez eu precise de uma carona e uma companhia para ir ao médico ou ao mercado. Vocês são a minha conexão com uma vida normal. Vocês podem me ajudar a manter-me em contato com a parte da vida que eu perdi e que sinto falta... E que tenho total, sincera e profunda intenção de reaver um dia, tão breve me seja possível.
Sei que posso estar pedindo demais para vocês, mas agradeço por ter me escutado. Realmente, significa muito!
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Sem Passado? Sem Presente? Sem Futuro?
06/09/2018 - 11:00
A ausência de meus próprios pensamentos? Talvez uma busca de justificativa por não escrever a tanto tempo.
A vida nesses últimos meses foram torturantes. Se não houvesse um aquecimento em meu coração eu já não estaria mais aqui entre vocês, seres que respiram. A minha vida beirou o abismo dezenas de vezes. Eu me vi próximo à total escuridão centenas de vezes. Algumas vezes deitado nessa mesma cama em que escrevo; algumas vezes numa simples caminhada pelo bairro; outras a caminho de ajuda em um hospital. Me enfureci com o atendimento médico público desse país - uma vez até mesmo com o privado. Olhando o que foi feito da minha vida por mim mesmo nesses nove meses de 2018, eu acho pouco demais. As lembranças são escassas. Mas se eu começar a detalhar o que acometeu minha saúde a dedução seria oposta.
Atualmente costumo argumentar que após completar trinta anos de idade, a vida parece ter recomeçado de um jeito doloroso e punitivo. Quantas vezes eu não pensei em reencarnação. Não como uma forma de crença ou de mascarar a realidade, mas sim buscando um motivo do porque eu tenho sofrido tanto. Como refletir: "Na vida passada eu fui alguém que causou mal demais para muitas pessoas e para o mundo em si. Nessa vida, após os trinta anos, é chegado o momento em que a justiça deve ser feita e você vai sofrer a morte de mil pessoas que foram torturadas e ressuscitadas por cem vezes." Tolo, convenhamos. Mas também me faz refletir e entender que todo o sofrimento é real demais para ser transcrito de forma lógica. É necessário uma minúscula idealização do cúmulo e de ultrapassar a perspectiva de realidade para começar a entender a dor que sinto.
O meu psicológico está fortíssimo no quesito dor física, que é o que tem me acometido fortemente todos os dias. Sempre refleti e escrevi sobre a linha tênue de sanidade e insanidade. Ou, como eu dizia antigamente, a linha tênue entre o real e a insanidade. Me vi muitas vezes pensando nisso, nos dias em que a dor ultrapassava o que o meu corpo poderia suportar. Mas em nenhum momento eu duvidei sobre decair minha mente sã para o lado do esquecimento e devagar ir me entregando ao devaneio que é a insanidade mental.
A realidade tem dado fortes socos na minha face, e eu ainda estou de pé. Se os melhores guerreiros são os que apanham muito e ainda permanecem de pé, então o troféu é meu. Mas uma coisa eu sinto necessidade de expressar: o retorno dessa surra que tenho tomado pode vir a qualquer momento. Quando isso acontecer, não pedirei desculpas pelos seus pés machucados de pisarem nos cacos de vidro que deixei para tráz após minha ressurreição da dor física para o triunfo das conquistas morais desse mundo. Em que evidencio acomodar meu coração naquela garota que o manteve vivo e forte até hoje.
sábado, 19 de maio de 2018
Entediante Brevidade
20/05/2018 - 00:09
Se faz necessário declarar que a brevidade não acalma o tédio. Eu levei muito tempo para perceber. Tempo esse, muitas vezes, apenas preenchido por essa tal brevidade. futilidades que dão petiscos para a minha necessidade de platéia, aquele sutil reconhecimento, aquela lembrança da minha pessoa mais longínqua. Não é preciso muito para satisfazer a minha vontade de atenção. No entanto essa atenção é facilmente entediada. Isso eu reconheci a muitos anos. O novo e o surpreendente são situações que eu tenho que estar envolvido emocionalmente. E o mais contraditório de tudo isso, é que me apego fortemente às coisas antigas e ainda com mais vigor aos sentimentos antigos. Eles são como uma âncora na minha vida emocional, mas não uma âncora que me puxa freneticamente para baixo, e sim um tipo de rebaixamento intelectual que estacionou no fundo do poço e lá ficou, estagnado e sem reações prudentes. Esses apegos também me fazem ter atitudes impulsivas que seriam facilmente evitadas com uma tranquilidade adquirida em uma vida mais moderada.
Nos últimos dias, o descanso mental que eu havia perseguindo com sucesso não é mais o suficiente. Estou atônito. Não consigo refletir direito sobre nada. Me sinto um viciado em morfina, onde esse medicamento não para de ser injetado em mim. Nada importa, nada é relevante o suficiente para me fazer ter algum tipo de reação. As mundanças perceptíveis são apenas o dormir e o acordar. Está sendo um desperdício triste e creio logo agonizante se eu não tomar uma atitude de verdade e enfrentar meus receios "invisíveis".
A perplexidade com que eu vejo os dias passarem só reforçam a minha teoria de nostalgia. Como disse, a relevância das coisas me parecem inúteis demais para me dispôr a entrar em ação de alguma maneira. Eu preciso de um desafio que satisfaça minhas necessidades emocionais. Preciso de uma competitividade de conversas sem julgamentos; uma franqueza nas palavras sem ressentimento. Busco o olhar desviado e encarado, alternando entre timidez e curiosidade em uma conversa empolgante e inteligente. Algo que eleve meu ego de um jeito único, não muito, mas cintilante. Sentir a pureza nas palavras. Mesmo indo em luta atrás disso, fica claro que vai demorar à acontecer. Isso é desanimador. Só ressalta que minha verdadeira companhia é o silêncio escuro do meu quarto. Os desafios fogem e continuarão a fugir de mim. E poderiam até observar que isso é uma aceitação cômoda, mas de fato não é. Um cansaço foi alcançado e isso fez com que o deslize de se importar e de não ver significância nas coisas me deixassem paralisado. Onde em muitas ocasiões ser mais seguro para todos que mantenham distância do meu isolamento persistente para não serem contaminados com os enigmas intelectuais e as armadilhas de dedução que eu sou e que pode afetar fortemente um caráter. A saída mais prudente é a solidão extrema. Isso talvez seja minha última cartada, porque a rotina das coisas ao meu redor tem sido cada vez mais inoportunas e incômodas. O barulho, a claridade, as palavras que chegam até mim são derradeiras dores para meu espírito.
Que os próximos capítulos da minha vida ditem com proficiência em prol de uma reviravolta, digamos, mirabolante de todas as minhas emoções angustiantes que venho enfrentando.
Se faz necessário declarar que a brevidade não acalma o tédio. Eu levei muito tempo para perceber. Tempo esse, muitas vezes, apenas preenchido por essa tal brevidade. futilidades que dão petiscos para a minha necessidade de platéia, aquele sutil reconhecimento, aquela lembrança da minha pessoa mais longínqua. Não é preciso muito para satisfazer a minha vontade de atenção. No entanto essa atenção é facilmente entediada. Isso eu reconheci a muitos anos. O novo e o surpreendente são situações que eu tenho que estar envolvido emocionalmente. E o mais contraditório de tudo isso, é que me apego fortemente às coisas antigas e ainda com mais vigor aos sentimentos antigos. Eles são como uma âncora na minha vida emocional, mas não uma âncora que me puxa freneticamente para baixo, e sim um tipo de rebaixamento intelectual que estacionou no fundo do poço e lá ficou, estagnado e sem reações prudentes. Esses apegos também me fazem ter atitudes impulsivas que seriam facilmente evitadas com uma tranquilidade adquirida em uma vida mais moderada.
Nos últimos dias, o descanso mental que eu havia perseguindo com sucesso não é mais o suficiente. Estou atônito. Não consigo refletir direito sobre nada. Me sinto um viciado em morfina, onde esse medicamento não para de ser injetado em mim. Nada importa, nada é relevante o suficiente para me fazer ter algum tipo de reação. As mundanças perceptíveis são apenas o dormir e o acordar. Está sendo um desperdício triste e creio logo agonizante se eu não tomar uma atitude de verdade e enfrentar meus receios "invisíveis".
A perplexidade com que eu vejo os dias passarem só reforçam a minha teoria de nostalgia. Como disse, a relevância das coisas me parecem inúteis demais para me dispôr a entrar em ação de alguma maneira. Eu preciso de um desafio que satisfaça minhas necessidades emocionais. Preciso de uma competitividade de conversas sem julgamentos; uma franqueza nas palavras sem ressentimento. Busco o olhar desviado e encarado, alternando entre timidez e curiosidade em uma conversa empolgante e inteligente. Algo que eleve meu ego de um jeito único, não muito, mas cintilante. Sentir a pureza nas palavras. Mesmo indo em luta atrás disso, fica claro que vai demorar à acontecer. Isso é desanimador. Só ressalta que minha verdadeira companhia é o silêncio escuro do meu quarto. Os desafios fogem e continuarão a fugir de mim. E poderiam até observar que isso é uma aceitação cômoda, mas de fato não é. Um cansaço foi alcançado e isso fez com que o deslize de se importar e de não ver significância nas coisas me deixassem paralisado. Onde em muitas ocasiões ser mais seguro para todos que mantenham distância do meu isolamento persistente para não serem contaminados com os enigmas intelectuais e as armadilhas de dedução que eu sou e que pode afetar fortemente um caráter. A saída mais prudente é a solidão extrema. Isso talvez seja minha última cartada, porque a rotina das coisas ao meu redor tem sido cada vez mais inoportunas e incômodas. O barulho, a claridade, as palavras que chegam até mim são derradeiras dores para meu espírito.
Que os próximos capítulos da minha vida ditem com proficiência em prol de uma reviravolta, digamos, mirabolante de todas as minhas emoções angustiantes que venho enfrentando.
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Extenuação
17/05/2018 - 08:31
Morte ainda em vida, essa é a definição irrefutável da minha existência. Não há como negar, está explícito nas minhas expressões, nas minhas ações, nas minhas reações; em minhas tentativas fúteis de preencher o vazio dentro de mim, nas distrações que busco e que resultam em um cansaço mental extremo, me obrigando a dormir em horários inadequados, somando com uma rotina deturpada, impulsionando os minutos cada vez mais rápido, até que chega o momento que uma certa estafa mental é atingida e adormeço por longas horas, e os distúrbios não cessam no sono, eles se amplificam em forma de pesadelos terríveis, nos quais sinto fisicamente de olhos fechados, quase vivenciando-os deitado na minha cama de sangue metafórica.
A apatia é uma forma de desistência das emoções e da busca. É o não ter reações, sejam elas boas ou ruins. A descrição acima é uma forma quase equivocada, mesmo que precisa, de pensamentos profundos sobre meus sentimentos escondidos. São estudados em prol de um entendimento que só falha. É como estou exatamente agora: abrindo e fechando os olhos de forma derradeira, lenta, cansada e, sem o menor motivo para tal. Acredito ser minha mente pedindo uma reação visível, qualquer coisa risível, às claras - um grito engasgado. Falta fé e sobra pessismismo. Meu semblante é imutável: calmo e triste. A minha fala é curta e objetiva. As tragédias do passado, hoje parecem nebulosas, grudadas longe da minha consciência. Eu também não tenho amigos, não saio para me divertir, não encontro nada que me traga alegria. Lágrimas regularmente escorrem, e para ser bem sincero, o motivo é desconhecido por mim. Abordando de um jeito poético, talvez as lágrimas sejam as emoções reprimidas buscando uma saída sem que minha mente sã perceba. O gosto pela vida não existe tem um longo tempo. Afinal, sem anseios não há prazer. No fundo há um sofrimento intenso que está sufocado. Um sofrimento silencioso e perigoso.
Meus monólogos fogem do desabafo. Quero apenas estabelecer o entendimento de uma forma geral da vida solitária. E recentemente isso envolve a falta de emoções.
O dia anterior foi de bagunça interior. Busquei o sentir correndo atrás de tudo que aparecia na minha frente. Aceitava o menor vestígio de matar o tempo, e isso só fez com que o dia fosse um dos mais longos que eu consigo me lembrar. Cheio de efeitos colaterais, de sintomas físicos debilitantes, onde fiquei cerca de vinte e cinco horas acordado, em estado de alerta e com dores indescritíveis. Até que adormeci por exatas doze horas, mesmo que havendo intervalos em que eu pulava da cama, o sono me pegou e me curou da parte física.
Já essa madrugada, tudo que consegui realizar foram estudos enfadonhos, pesquisas medíocres, artigos fúteis. Nessa noite não encontrei um abrigo calmo para a minha mente, e dessa forma ininteligível, as horas passaram rápido demais e aqui estou, em plena manhã ainda sem conseguir balbuciar uma verdade de sentir qualquer coisa. É triste, convenhamos. Mesquinho, até. No entanto, também posso tirar grandes aprendizados dessa vida dolorosa que estou levando, uma lição que só o futuro irá responder. Quem sabe o "tanto faz" estampado no meu semblante seja alterado e a surpresa dessa nova lição aprendida não ser visualizada e sim sentida.
Morte ainda em vida, essa é a definição irrefutável da minha existência. Não há como negar, está explícito nas minhas expressões, nas minhas ações, nas minhas reações; em minhas tentativas fúteis de preencher o vazio dentro de mim, nas distrações que busco e que resultam em um cansaço mental extremo, me obrigando a dormir em horários inadequados, somando com uma rotina deturpada, impulsionando os minutos cada vez mais rápido, até que chega o momento que uma certa estafa mental é atingida e adormeço por longas horas, e os distúrbios não cessam no sono, eles se amplificam em forma de pesadelos terríveis, nos quais sinto fisicamente de olhos fechados, quase vivenciando-os deitado na minha cama de sangue metafórica.
A apatia é uma forma de desistência das emoções e da busca. É o não ter reações, sejam elas boas ou ruins. A descrição acima é uma forma quase equivocada, mesmo que precisa, de pensamentos profundos sobre meus sentimentos escondidos. São estudados em prol de um entendimento que só falha. É como estou exatamente agora: abrindo e fechando os olhos de forma derradeira, lenta, cansada e, sem o menor motivo para tal. Acredito ser minha mente pedindo uma reação visível, qualquer coisa risível, às claras - um grito engasgado. Falta fé e sobra pessismismo. Meu semblante é imutável: calmo e triste. A minha fala é curta e objetiva. As tragédias do passado, hoje parecem nebulosas, grudadas longe da minha consciência. Eu também não tenho amigos, não saio para me divertir, não encontro nada que me traga alegria. Lágrimas regularmente escorrem, e para ser bem sincero, o motivo é desconhecido por mim. Abordando de um jeito poético, talvez as lágrimas sejam as emoções reprimidas buscando uma saída sem que minha mente sã perceba. O gosto pela vida não existe tem um longo tempo. Afinal, sem anseios não há prazer. No fundo há um sofrimento intenso que está sufocado. Um sofrimento silencioso e perigoso.
Meus monólogos fogem do desabafo. Quero apenas estabelecer o entendimento de uma forma geral da vida solitária. E recentemente isso envolve a falta de emoções.
O dia anterior foi de bagunça interior. Busquei o sentir correndo atrás de tudo que aparecia na minha frente. Aceitava o menor vestígio de matar o tempo, e isso só fez com que o dia fosse um dos mais longos que eu consigo me lembrar. Cheio de efeitos colaterais, de sintomas físicos debilitantes, onde fiquei cerca de vinte e cinco horas acordado, em estado de alerta e com dores indescritíveis. Até que adormeci por exatas doze horas, mesmo que havendo intervalos em que eu pulava da cama, o sono me pegou e me curou da parte física.
Já essa madrugada, tudo que consegui realizar foram estudos enfadonhos, pesquisas medíocres, artigos fúteis. Nessa noite não encontrei um abrigo calmo para a minha mente, e dessa forma ininteligível, as horas passaram rápido demais e aqui estou, em plena manhã ainda sem conseguir balbuciar uma verdade de sentir qualquer coisa. É triste, convenhamos. Mesquinho, até. No entanto, também posso tirar grandes aprendizados dessa vida dolorosa que estou levando, uma lição que só o futuro irá responder. Quem sabe o "tanto faz" estampado no meu semblante seja alterado e a surpresa dessa nova lição aprendida não ser visualizada e sim sentida.
quarta-feira, 16 de maio de 2018
Sinta o Luar
16/05/2018 - 01:04
Experiência ocasional freudiana. Entorpecido, em plena madrugada, após me submeter a ações "anti-apatia", aqui estou, brigando com meu próprio organismo e suas reações adversas pelo simples fato de buscar sentir alguma emoção e ter uma reação semelhante. Deitado na cama, ouvindo uma música melancólica, no escuro do meu quarto, ouvindo minhas veias saltarem da pele, sentindo uma ardência pelo corpo todo, aguardando ansiosamente o clarear do dia que acaba de começar, em perseguição a um dia diferente dos repetitivos que tenho vivido nesses meses anteriores. Em prol de uma atitude singela, reconfortante e de ajuda ao próximo, ao especial, ao cantinho mais quente do meu coração. E não importa a intenção verdadeira do próximo, se alcançou minha admiração genuína, já tem meu total respeito e minhas atitudes boas independente do resultado por trás, da malícia, da verdade triste que as vezes está evidente. Apesar de todos os possíveis poréns, minhas atitudes sempre são honestas, boas e mirando o bem estar do próximo. É basicamente uma candura, um retorno a infância e sua simplicidade pura. Não obstante, essa singela ingenuidade está incrustada no meu caráter. Com apatia, forçando emoções, buscando o sentir verdadeiro, nada altera esse ponto da minha personalidade. Para alguém que até recentemente estava duelando com suas reflexões sobre a existência e em formular algo a se definir, finalmente encontrei, no mais fundo recôndito da minha alma, algo fidedigno à minha pessoa.
Substancialmente alterado, as poesias deram seus beijos nas letras e evidenciaram um pouco de emoção escondida em um canto obscuro de solidão e tristeza.
Ins:
“Pensa que não entendo? O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposto. Ser visto por dentro, cortado, até mesmo eliminado. Cada tom de voz uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas deste gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então, não tem que interpretar papéis, fazer caras, gestos falsos. Acreditaria que sim, mas a realidade é diabólica. Seu esconderijo não é a prova d’água. A vida engana em todos os aspectos. Você é forçado a reagir. Ninguém pergunta se é real ou não, se é sincero ou mentiroso. Isso só é importante no teatro. Talvez nem nele. Entendo porque não fala, porque não se movimenta. Sua apatia se tornou um papel fantástico. Entendo e admiro você. Acho que deveria representar esse papel até o fim, até que não seja mais interessante. Então pode esquecer como esquece seus papéis".
Experiência ocasional freudiana. Entorpecido, em plena madrugada, após me submeter a ações "anti-apatia", aqui estou, brigando com meu próprio organismo e suas reações adversas pelo simples fato de buscar sentir alguma emoção e ter uma reação semelhante. Deitado na cama, ouvindo uma música melancólica, no escuro do meu quarto, ouvindo minhas veias saltarem da pele, sentindo uma ardência pelo corpo todo, aguardando ansiosamente o clarear do dia que acaba de começar, em perseguição a um dia diferente dos repetitivos que tenho vivido nesses meses anteriores. Em prol de uma atitude singela, reconfortante e de ajuda ao próximo, ao especial, ao cantinho mais quente do meu coração. E não importa a intenção verdadeira do próximo, se alcançou minha admiração genuína, já tem meu total respeito e minhas atitudes boas independente do resultado por trás, da malícia, da verdade triste que as vezes está evidente. Apesar de todos os possíveis poréns, minhas atitudes sempre são honestas, boas e mirando o bem estar do próximo. É basicamente uma candura, um retorno a infância e sua simplicidade pura. Não obstante, essa singela ingenuidade está incrustada no meu caráter. Com apatia, forçando emoções, buscando o sentir verdadeiro, nada altera esse ponto da minha personalidade. Para alguém que até recentemente estava duelando com suas reflexões sobre a existência e em formular algo a se definir, finalmente encontrei, no mais fundo recôndito da minha alma, algo fidedigno à minha pessoa.
Substancialmente alterado, as poesias deram seus beijos nas letras e evidenciaram um pouco de emoção escondida em um canto obscuro de solidão e tristeza.
Ins:
“Pensa que não entendo? O inútil sonho de ser. Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem e a constante fome de finalmente ser exposto. Ser visto por dentro, cortado, até mesmo eliminado. Cada tom de voz uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas deste gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então, não tem que interpretar papéis, fazer caras, gestos falsos. Acreditaria que sim, mas a realidade é diabólica. Seu esconderijo não é a prova d’água. A vida engana em todos os aspectos. Você é forçado a reagir. Ninguém pergunta se é real ou não, se é sincero ou mentiroso. Isso só é importante no teatro. Talvez nem nele. Entendo porque não fala, porque não se movimenta. Sua apatia se tornou um papel fantástico. Entendo e admiro você. Acho que deveria representar esse papel até o fim, até que não seja mais interessante. Então pode esquecer como esquece seus papéis".
terça-feira, 15 de maio de 2018
Esmerada Maestria!
15/05/2018 - 08:37
A linha tênue entre a realidade e a fantasia é algo a ser galgado com cautela. Nesse momento me falta tal cautela. O isolamento foi uma solução sadia para minha mente. Talvez um novo auto conhecimento para enfim viver exatamente como deveria - bem.
Ontem o dia em si foi um tormento para meus sentidos. Não é necessário entrar nos detalhes, mas fui encurralado mentalmente por alguém próximo a mim; fui julgado; fui até mesmo sentenciado ao pior. Sem exiguidades para olhares tristes em minha direção, descrevo isso puramente pela honestidade que deve sair dos meus monólogos em prol de uma verdade absoluta dos sentimentos de um misantropo. Em certos momentos foi aterrorizador, mas logo meu olhar semicerrado sobre o horizonte vazio foi o suficiente para trazer de volta a minha apatia. Fui submetido também a singelos remorsos, tais que em seguida notei serem um pouco de empatia que ainda existe em mim, nada que deva ser levado em consideração.
Essa manhã, há poucos minutos que iniciei esse diálogo com o vazio, eu fui surpreendido por uma pessoa que sempre foi especial para mim. Fui cogitado por um dos meus únicos valores que merecem destaque: o ouvir e aconselhar. Teve sorrisos da segunda parte; senti uma espontaneidade também da mesma. Fui lembrado de uma questão importante que aconteceu recentemente. Tudo foi um curativo para minhas dores. Consegui esboçar um leve sorriso tímido, nada visível; foi melhor - foi sentido com a alma. Estou agradecido por esse acontecimento. Como já disse uma vez, as vezes deixar de lado o negativismo faz com que abram portas para surpresas do coração e do espírito. Isso se concretizou nessa manhã já que não será mais como nenhuma outra. O que não foi surpreendente de tudo isso é que coisas maravilhosas só podem vir de pessoas maravilhosas. Silenciosamente digo: muitíssimo obrigado por esse presente para minha personalidade triste.
Hoje ainda terá algumas coisas fora do comum, talvez. Amanhã será um dia em que voltarei a uma pequena atitude que antigamente estava familiarizado. Velhos hábitos que ainda surtem o mesmo efeito revigorante para aquele coração encostado na árvore mais solitária se refugiando do sol. A vida... com sua esmerada maestria!
Uma velha amiga, dedicando um pouco do seu tempo me enviando palavras recheadas de cores buscando que minha mente aceite a vida sendo sempre bela e nada mais do que isso, porque, segundo suas próprias palavras, "o que vamos deixar para trás é apenas o que vivemos, então vamos viver da melhor forma possível." Interessante, não? Eu sempre me delicio com o otimismo das pessoas próximas a mim. É um aprendizado a ser levado em consideração nos meus pensamentos niilistas.
Entretanto, Jean-Paul Sartre, me perdoe por fazê-lo se revirar no túmulo, mas estou numa crise existencial demasiada dolorosa para ser transcrita nesse momento. Em outra ocasião eu abordarei nos ínfimos detalhes essa crise. Adiantando: a misantropia, o existencialismo, as dores físicas, tudo está englobado nessa questão que interpelarei na próxima página que já está pronta para receber minhas lágrimas.
A linha tênue entre a realidade e a fantasia é algo a ser galgado com cautela. Nesse momento me falta tal cautela. O isolamento foi uma solução sadia para minha mente. Talvez um novo auto conhecimento para enfim viver exatamente como deveria - bem.
Ontem o dia em si foi um tormento para meus sentidos. Não é necessário entrar nos detalhes, mas fui encurralado mentalmente por alguém próximo a mim; fui julgado; fui até mesmo sentenciado ao pior. Sem exiguidades para olhares tristes em minha direção, descrevo isso puramente pela honestidade que deve sair dos meus monólogos em prol de uma verdade absoluta dos sentimentos de um misantropo. Em certos momentos foi aterrorizador, mas logo meu olhar semicerrado sobre o horizonte vazio foi o suficiente para trazer de volta a minha apatia. Fui submetido também a singelos remorsos, tais que em seguida notei serem um pouco de empatia que ainda existe em mim, nada que deva ser levado em consideração.
Essa manhã, há poucos minutos que iniciei esse diálogo com o vazio, eu fui surpreendido por uma pessoa que sempre foi especial para mim. Fui cogitado por um dos meus únicos valores que merecem destaque: o ouvir e aconselhar. Teve sorrisos da segunda parte; senti uma espontaneidade também da mesma. Fui lembrado de uma questão importante que aconteceu recentemente. Tudo foi um curativo para minhas dores. Consegui esboçar um leve sorriso tímido, nada visível; foi melhor - foi sentido com a alma. Estou agradecido por esse acontecimento. Como já disse uma vez, as vezes deixar de lado o negativismo faz com que abram portas para surpresas do coração e do espírito. Isso se concretizou nessa manhã já que não será mais como nenhuma outra. O que não foi surpreendente de tudo isso é que coisas maravilhosas só podem vir de pessoas maravilhosas. Silenciosamente digo: muitíssimo obrigado por esse presente para minha personalidade triste.
Hoje ainda terá algumas coisas fora do comum, talvez. Amanhã será um dia em que voltarei a uma pequena atitude que antigamente estava familiarizado. Velhos hábitos que ainda surtem o mesmo efeito revigorante para aquele coração encostado na árvore mais solitária se refugiando do sol. A vida... com sua esmerada maestria!
Uma velha amiga, dedicando um pouco do seu tempo me enviando palavras recheadas de cores buscando que minha mente aceite a vida sendo sempre bela e nada mais do que isso, porque, segundo suas próprias palavras, "o que vamos deixar para trás é apenas o que vivemos, então vamos viver da melhor forma possível." Interessante, não? Eu sempre me delicio com o otimismo das pessoas próximas a mim. É um aprendizado a ser levado em consideração nos meus pensamentos niilistas.
Entretanto, Jean-Paul Sartre, me perdoe por fazê-lo se revirar no túmulo, mas estou numa crise existencial demasiada dolorosa para ser transcrita nesse momento. Em outra ocasião eu abordarei nos ínfimos detalhes essa crise. Adiantando: a misantropia, o existencialismo, as dores físicas, tudo está englobado nessa questão que interpelarei na próxima página que já está pronta para receber minhas lágrimas.
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Anelante Cansaço
14/05/2018 - 23:01
Por hora, decidi aceitar minhas dores de cabeça. Estou tão isolado que começo a me ressentir em continuar buscando ajuda. Admito que em meses com essas dores, basicamente já me acostumei, não inteiramente, claro, porque há momentos que ela me impede de fazer certas coisas. Ainda me lembro de quando buscava propositadamente ir de frente com meus medos. Eu estava convicto a vencer todos. Hoje me sinto muito cansado para buscar uma melhora na vida social. Estou à deriva, aguardando o fim derradeiro. Penso muito nisso mas também acredito que possa ter algo grandioso a minha espera; algo que me virará dos avessos e fará com que eu grite ao mundo que a vida é bela.
Em quantos monólogos antigos eu escrevi sobre felicidade, deixando claro que para tentar mantê-la ao máximo devemos andar na linha tênue de fantasia e realidade. A realidade é dolorida demais; a fantasia é a beleza que vemos nos olhos de quem amamos. Essa ambiguidade chamada amor fica além das duas e é onde mora e sempre irá morar a nossa alegria e entusiasmo de viver.
Eu tinha sonhos. Meus sonhos eram gigantes. Depois eles se tornaram menores porque eu os queria em minhas mãos o quanto antes. Hoje eu espero... Espero a vida passar. Olho incansavelmente o relógio todos os dias, vejo cada minuto passar, e mesmo tão atencioso com ele, perco o alvorecer do dia e o resplandecer da lua. Entendo que os números se repetindo dia após dia nada mais são do que as regras da vida moderna que somos submetidos a aceitar e seguir rigorosamente. Um mínimo deslize faz com que sejamos variegados e exclusos. Para uma mente que não consegue se esconder e seguir tais regras, o refúgio na solidão e no isolamento parece ser a resposta mais viável para a saúde mental. Já tentei por muitas vezes buscar a alegria no meu dia a dia, deixar de lado minhas incertezas e pequenas inseguranças em prol de algo maior - mais valioso. E novamente regredi ao cansaço e enterrei meu corpo em uma cova rasa, onde periodicamente ou eu retiro um pouco da terra, ou vou até lá com uma pá e cavo mais fundo. Teve momentos que por mais que eu escavasse eu não encontraria o sopro da minha vida. Outros momentos eu até tropeçava em mim mesmo ao caminhar pela terra. E em nenhum momento de dor excruciante, seja física (como atualmente) ou emocional, eu me ergui da terra molhada e senti a garoa em meu rosto me dizendo que estou vivo.
O cansaço está ficando cada vez mais intenso. Mesmo no isolamento, aceitar certas coisas está fazendo com que eu engasgue com as lágrimas. A falta de resposta e o mal tratamento para comigo me machuca até nos sonhos. Dormir tem sido um martírio. E por mais que eu tenha ciência, algo dentro de mim se recusa a aceitar que certas coisas da vida podem não ter respostas que chegam até nós; e é assim, ponto final. E como já foi dito, eu tenho essa necessidade gritante de resposta para um tipo de acalento intelectual. Porque um sono merecido é resultado de um dia bem moderado. Isso me falta; isso me dói; isso me corrói com o passar dos dias. Voltarei a sorrir sem me arrepender?
Por hora, decidi aceitar minhas dores de cabeça. Estou tão isolado que começo a me ressentir em continuar buscando ajuda. Admito que em meses com essas dores, basicamente já me acostumei, não inteiramente, claro, porque há momentos que ela me impede de fazer certas coisas. Ainda me lembro de quando buscava propositadamente ir de frente com meus medos. Eu estava convicto a vencer todos. Hoje me sinto muito cansado para buscar uma melhora na vida social. Estou à deriva, aguardando o fim derradeiro. Penso muito nisso mas também acredito que possa ter algo grandioso a minha espera; algo que me virará dos avessos e fará com que eu grite ao mundo que a vida é bela.
Em quantos monólogos antigos eu escrevi sobre felicidade, deixando claro que para tentar mantê-la ao máximo devemos andar na linha tênue de fantasia e realidade. A realidade é dolorida demais; a fantasia é a beleza que vemos nos olhos de quem amamos. Essa ambiguidade chamada amor fica além das duas e é onde mora e sempre irá morar a nossa alegria e entusiasmo de viver.
Eu tinha sonhos. Meus sonhos eram gigantes. Depois eles se tornaram menores porque eu os queria em minhas mãos o quanto antes. Hoje eu espero... Espero a vida passar. Olho incansavelmente o relógio todos os dias, vejo cada minuto passar, e mesmo tão atencioso com ele, perco o alvorecer do dia e o resplandecer da lua. Entendo que os números se repetindo dia após dia nada mais são do que as regras da vida moderna que somos submetidos a aceitar e seguir rigorosamente. Um mínimo deslize faz com que sejamos variegados e exclusos. Para uma mente que não consegue se esconder e seguir tais regras, o refúgio na solidão e no isolamento parece ser a resposta mais viável para a saúde mental. Já tentei por muitas vezes buscar a alegria no meu dia a dia, deixar de lado minhas incertezas e pequenas inseguranças em prol de algo maior - mais valioso. E novamente regredi ao cansaço e enterrei meu corpo em uma cova rasa, onde periodicamente ou eu retiro um pouco da terra, ou vou até lá com uma pá e cavo mais fundo. Teve momentos que por mais que eu escavasse eu não encontraria o sopro da minha vida. Outros momentos eu até tropeçava em mim mesmo ao caminhar pela terra. E em nenhum momento de dor excruciante, seja física (como atualmente) ou emocional, eu me ergui da terra molhada e senti a garoa em meu rosto me dizendo que estou vivo.
O cansaço está ficando cada vez mais intenso. Mesmo no isolamento, aceitar certas coisas está fazendo com que eu engasgue com as lágrimas. A falta de resposta e o mal tratamento para comigo me machuca até nos sonhos. Dormir tem sido um martírio. E por mais que eu tenha ciência, algo dentro de mim se recusa a aceitar que certas coisas da vida podem não ter respostas que chegam até nós; e é assim, ponto final. E como já foi dito, eu tenho essa necessidade gritante de resposta para um tipo de acalento intelectual. Porque um sono merecido é resultado de um dia bem moderado. Isso me falta; isso me dói; isso me corrói com o passar dos dias. Voltarei a sorrir sem me arrepender?
domingo, 13 de maio de 2018
Ponderação Teatral e o Livre Pensamento
13/05/2018 - 18:24
Alguns dias ausente das minhas páginas prontas para sentirem minhas lágrimas, estou de volta. Fui obrigado a tal ausência por estar entorpecido em longas horas inconsciente. Ainda estou um pouco desorientado, mas também aos poucos voltando às pequenas realidades que me sujeito a aceitar.
A vida sozinho têm sido mais um fardo do que uma dádiva. Me considero um guerreiro, porque frequentemente brigo com essa dualidade de aceitação e luta do meu consciente e da minha vida.
Não é fácil me manter entretido. Nas poucas ocasiões em que sou obrigado a interação humana, me sinto incapaz, porque as verdades que podem sair da minha boca machucariam o ouvinte. Como deve estar óbvio, a introspecção é um fator quase predominante da minha personalidade ultimamente. Sem dúvidas devido a solidão, mas também um pouco pela minha própria defesa intelectual. Dificilmente eu acho um ser capaz de dialogar comigo de forma pura, sem preconceitos e julgamentos. Isso me restringiu tanto ao meu atual casulo que sinto jamais eclodir - morrer sem antes mesmo nascer por completo. É triste? Isso depende da corrente filosófica de quem ler. As verdades estão rodeando a todo momento esse mundo e, sinceramente, não busco saber qual a minha. Como também está bem evidente, a minha vida, apesar das distrações, estudos, contribuições anônimas na parte literária, acadêmica, vamos dizer, são apenas horas e dias definhando em agonia silenciosa. Particularmente ainda não aceitei essa condição, mas inconscientemente eu me desvio desses pensamentos com conquistas focadas no aprendizado. Qualquer filósofo ou psicólogo entenderia essa descrição como uma esperança de um dia poder proferir tudo isso. Nâo sei ao certo se é realmente esse o significado oculto. A dissidência entre o meu fazer e o meu pensar é uma guerra árdua e dolorosa demais. Sendo mais específico, nesse exato segundo que escrevo, até o meu inspirar e expirar é carregado de munições pesadas, dificultando as ações e debilitando de forma grosseira os meus pensamentos mais sadios.
O que é necessário ressaltar, é que minhas contribuições sobre o comportamento humano não são resultados apenas de reflexões internas. Elas também envolvem pensamentos substanciais e olhadelas pelo lado de fora de um todo. A ponderação entre um ator de teatro e um pensador livre está intrínseca dentro de mim. Dessa forma, fica claro que meus pensamentos de solidão não são resultados de minhas dores. Todo meu monólogo está relacionado a minuciosos estudos e pensamentos profundos, tão figadal que a sua exclusividade, em certos momentos, se nega a me dar acesso o tanto que gostaria. Sejamos objetivos, as dores vividas do isolamento se sobressaem das vontades e dos desejos. O passado me atemoriza afetando minhas sutis ações do cotidiano, abrangendo um todo, como o pensar, o respirar, o enxergar, o sentir e o supracitado (que merece ressalva) o desejo.
O que está forte nesse momento é o drama, não vou me sujeitar a isso. Ninguém merece além dos atores vívidos de monólogos teatrais.
Com os olhos semirrados e as mãos ágeis no teclado, é necessário um encerramento e encarar de cabeça baixa o canhão que não cessa em apontar para minha expressão emudecida de sofrimento.
Alguns dias ausente das minhas páginas prontas para sentirem minhas lágrimas, estou de volta. Fui obrigado a tal ausência por estar entorpecido em longas horas inconsciente. Ainda estou um pouco desorientado, mas também aos poucos voltando às pequenas realidades que me sujeito a aceitar.
A vida sozinho têm sido mais um fardo do que uma dádiva. Me considero um guerreiro, porque frequentemente brigo com essa dualidade de aceitação e luta do meu consciente e da minha vida.
Não é fácil me manter entretido. Nas poucas ocasiões em que sou obrigado a interação humana, me sinto incapaz, porque as verdades que podem sair da minha boca machucariam o ouvinte. Como deve estar óbvio, a introspecção é um fator quase predominante da minha personalidade ultimamente. Sem dúvidas devido a solidão, mas também um pouco pela minha própria defesa intelectual. Dificilmente eu acho um ser capaz de dialogar comigo de forma pura, sem preconceitos e julgamentos. Isso me restringiu tanto ao meu atual casulo que sinto jamais eclodir - morrer sem antes mesmo nascer por completo. É triste? Isso depende da corrente filosófica de quem ler. As verdades estão rodeando a todo momento esse mundo e, sinceramente, não busco saber qual a minha. Como também está bem evidente, a minha vida, apesar das distrações, estudos, contribuições anônimas na parte literária, acadêmica, vamos dizer, são apenas horas e dias definhando em agonia silenciosa. Particularmente ainda não aceitei essa condição, mas inconscientemente eu me desvio desses pensamentos com conquistas focadas no aprendizado. Qualquer filósofo ou psicólogo entenderia essa descrição como uma esperança de um dia poder proferir tudo isso. Nâo sei ao certo se é realmente esse o significado oculto. A dissidência entre o meu fazer e o meu pensar é uma guerra árdua e dolorosa demais. Sendo mais específico, nesse exato segundo que escrevo, até o meu inspirar e expirar é carregado de munições pesadas, dificultando as ações e debilitando de forma grosseira os meus pensamentos mais sadios.
O que é necessário ressaltar, é que minhas contribuições sobre o comportamento humano não são resultados apenas de reflexões internas. Elas também envolvem pensamentos substanciais e olhadelas pelo lado de fora de um todo. A ponderação entre um ator de teatro e um pensador livre está intrínseca dentro de mim. Dessa forma, fica claro que meus pensamentos de solidão não são resultados de minhas dores. Todo meu monólogo está relacionado a minuciosos estudos e pensamentos profundos, tão figadal que a sua exclusividade, em certos momentos, se nega a me dar acesso o tanto que gostaria. Sejamos objetivos, as dores vividas do isolamento se sobressaem das vontades e dos desejos. O passado me atemoriza afetando minhas sutis ações do cotidiano, abrangendo um todo, como o pensar, o respirar, o enxergar, o sentir e o supracitado (que merece ressalva) o desejo.
O que está forte nesse momento é o drama, não vou me sujeitar a isso. Ninguém merece além dos atores vívidos de monólogos teatrais.
Com os olhos semirrados e as mãos ágeis no teclado, é necessário um encerramento e encarar de cabeça baixa o canhão que não cessa em apontar para minha expressão emudecida de sofrimento.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Certos Sentimentos Residuais
10/05/2018 - 07:21
Dois fatores que eu afirmei no meu último texto se concretizaram: o meu dia, apesar de já ser tarde, ainda tinha muito tempo a ser percorrido; e também que haveria surpresas pela frente nas quais eu estava preparado.
Tenho notado de forma lenta que o meu isolamento, que a propósito não é de minha escolha, está se comparando em muitos aspectos à minha extrema solidão de quase duas décadas atrás. Pequenas percepções foram significativas para chegar a essa conclusão. O alvorecer de um novo dia começou a me incomodar; o anoitecer começou a me entristecer; e o meu organismo logo vai começar a reagir contra essas abruptas mudanças de rotina, mesmo que tediosas ao meu corpo. Claro, com o passar do tempo, antigamente, eu via o alvorecer de um jeito poético, inspirador. Era próximo a esses horários que eu mais escrevia e lia. Conseguia enxergar o mundo lá fora com um olhar puro e ingênuo. O que implicava em boas horas de sono. Preciso ressaltar também que nessa época eu não tinha basicamente nenhuma tecnologia a meu dispor. Era um leitor assíduo. Três livros por mês, todos emprestados da biblioteca da cidade - eram devorados. Aprendi muito nessa época, não posso negar. Estudei os mais variados tipos de coisas: de filosofia, passando pelo extinto uso da palavra filologia, até física quântica. Me emocionava com o romantismo de maneiras que até hoje não consigo entender. Li com sede todos os dez livros de Casanova, intitulado Memórias. Mesmo após anos, busquei comprá-los, mas acabei ignorando essa ideia em cima da hora, e infelizmente, preciso admitir, por motivos de precaução do meu coração apaixonado. Eu adorava rir e me surpreender com as aventuras de um libertino, filósofo e cristão. Suas histórias eram cômicas e muito reais, onde me diverti por um bom tempo trancafiado na minha antiga fortaleza de risos e choro.
Não sou uma pessoa que se importa com a modernidade. Aquele tipo de homem que se preocupa com o olhar alheio e deve estar sempre preparado para estar habituado visivelmente aos dias atuais. Claro que também não sou um desleixado, tenho minha vaidade, zelo por ela, porque é importante mantermos um equilíbrio do ambiente e do corpo, que é nosso templo e ferramenta nesse mundo. Mas o que me incomoda, generalizando, é o exagero na importância dos olhos aos que nos rodeiam. Acima de tudo eu defendo a naturalidade. Desde muito pequeno o meu fascínio pela espontaneidade se destacava. Isso eu trago até os dias de hoje, seja nas amizades, seja no coleguismo profissional, até nos romances passageiros e respeitáveis, por assim dizer. A doçura de ser você mesmo, de não ter vergonha de se mostrar por fora como é por dentro sempre me atraiu. Aos poucos eu fui ficando mais detalhista nessa questão, notando pequenas sutilezas guardadas muito bem, onde a vaidade era mais proeminente, descobrindo valores intrínsecos na personalidade que me deixaram perplexos de amor.
A rotina, ela sempre se força contra o fluxo natural do relógio, o que me tira o sono, metafórica e literalmente. E mesmo tendo passado longas horas estudando, pesquisando, de fato aprendendo, chega um ponto em que nada é suficiente para a minha mente. É com a mais pura sinceridade que digo que em muitos momentos de estudos quase incansáveis, eu sinto estar apenas mascarando a dor de ser solitário. Não vou sair gritando na rua que quero companhia em todos os seus modos, isso não me pertence a um bom tempo, e não sinto falta em si de tudo isso. Acredito, após um exame superficial de reflexões a respeito, que a alienação social é o problema. Você cresce brigando com tudo e todos se auto afirmando autêntico. Até que chega um dia que se espera ser doce, o dia em que você consegue deixar isso extremamente evidente. Por fim não parece ter sido o fechamento. É preciso intercalar muitas coisas para sermos considerados cidadãos saudáveis e parte interativa da sociedade - o que, por sinal, não me encaixo. Não fico triste, fico pensativo, me sinto enigmático nessas ocasiões onde os pensamentos e tentativas são frustrantes e tediosos.
Os motivos específicos que têm mantido minha mente um pouco mais ativa, longe da angústia e da tristeza, é que em parte eu tento canalizar certos sentimentos residuais em uma habilidade produtiva. Só ainda não achei o engate perfeito... ainda!
Dois fatores que eu afirmei no meu último texto se concretizaram: o meu dia, apesar de já ser tarde, ainda tinha muito tempo a ser percorrido; e também que haveria surpresas pela frente nas quais eu estava preparado.
Tenho notado de forma lenta que o meu isolamento, que a propósito não é de minha escolha, está se comparando em muitos aspectos à minha extrema solidão de quase duas décadas atrás. Pequenas percepções foram significativas para chegar a essa conclusão. O alvorecer de um novo dia começou a me incomodar; o anoitecer começou a me entristecer; e o meu organismo logo vai começar a reagir contra essas abruptas mudanças de rotina, mesmo que tediosas ao meu corpo. Claro, com o passar do tempo, antigamente, eu via o alvorecer de um jeito poético, inspirador. Era próximo a esses horários que eu mais escrevia e lia. Conseguia enxergar o mundo lá fora com um olhar puro e ingênuo. O que implicava em boas horas de sono. Preciso ressaltar também que nessa época eu não tinha basicamente nenhuma tecnologia a meu dispor. Era um leitor assíduo. Três livros por mês, todos emprestados da biblioteca da cidade - eram devorados. Aprendi muito nessa época, não posso negar. Estudei os mais variados tipos de coisas: de filosofia, passando pelo extinto uso da palavra filologia, até física quântica. Me emocionava com o romantismo de maneiras que até hoje não consigo entender. Li com sede todos os dez livros de Casanova, intitulado Memórias. Mesmo após anos, busquei comprá-los, mas acabei ignorando essa ideia em cima da hora, e infelizmente, preciso admitir, por motivos de precaução do meu coração apaixonado. Eu adorava rir e me surpreender com as aventuras de um libertino, filósofo e cristão. Suas histórias eram cômicas e muito reais, onde me diverti por um bom tempo trancafiado na minha antiga fortaleza de risos e choro.
Não sou uma pessoa que se importa com a modernidade. Aquele tipo de homem que se preocupa com o olhar alheio e deve estar sempre preparado para estar habituado visivelmente aos dias atuais. Claro que também não sou um desleixado, tenho minha vaidade, zelo por ela, porque é importante mantermos um equilíbrio do ambiente e do corpo, que é nosso templo e ferramenta nesse mundo. Mas o que me incomoda, generalizando, é o exagero na importância dos olhos aos que nos rodeiam. Acima de tudo eu defendo a naturalidade. Desde muito pequeno o meu fascínio pela espontaneidade se destacava. Isso eu trago até os dias de hoje, seja nas amizades, seja no coleguismo profissional, até nos romances passageiros e respeitáveis, por assim dizer. A doçura de ser você mesmo, de não ter vergonha de se mostrar por fora como é por dentro sempre me atraiu. Aos poucos eu fui ficando mais detalhista nessa questão, notando pequenas sutilezas guardadas muito bem, onde a vaidade era mais proeminente, descobrindo valores intrínsecos na personalidade que me deixaram perplexos de amor.
A rotina, ela sempre se força contra o fluxo natural do relógio, o que me tira o sono, metafórica e literalmente. E mesmo tendo passado longas horas estudando, pesquisando, de fato aprendendo, chega um ponto em que nada é suficiente para a minha mente. É com a mais pura sinceridade que digo que em muitos momentos de estudos quase incansáveis, eu sinto estar apenas mascarando a dor de ser solitário. Não vou sair gritando na rua que quero companhia em todos os seus modos, isso não me pertence a um bom tempo, e não sinto falta em si de tudo isso. Acredito, após um exame superficial de reflexões a respeito, que a alienação social é o problema. Você cresce brigando com tudo e todos se auto afirmando autêntico. Até que chega um dia que se espera ser doce, o dia em que você consegue deixar isso extremamente evidente. Por fim não parece ter sido o fechamento. É preciso intercalar muitas coisas para sermos considerados cidadãos saudáveis e parte interativa da sociedade - o que, por sinal, não me encaixo. Não fico triste, fico pensativo, me sinto enigmático nessas ocasiões onde os pensamentos e tentativas são frustrantes e tediosos.
Os motivos específicos que têm mantido minha mente um pouco mais ativa, longe da angústia e da tristeza, é que em parte eu tento canalizar certos sentimentos residuais em uma habilidade produtiva. Só ainda não achei o engate perfeito... ainda!
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Tristeza, Felicidade e seus Impactos na Alma
09/05/2018 - 19:57
Embalado pela música de Of Monster And Men, com seu promissor e posteriormente concretizado álbum de 2012 chamado My Head Is An Animal, estou aqui para compartilhar mais sobre as reflexões moribundas de solidão na rotina apática em que me encontro e vivo a um longo período.
Caracteristicamente, hoje também foi outro dia atípico, ou melhor, algumas horas atípicas, porque levei muito tempo para conseguir adormecer na madrugada passada, o que me levou a acordar um pouco tarde no dia em que estou relatando tais pensamentos. Bombardeado novamente por pesadelos, nos quais, comumemente têm ocorrido, lembro-os vagamente após acordado, mas o que não me impossibilita de sentir o choque de ter sido algo forte e em suas beiradas de lapsos, traumático. Essa não é a questão em si que quero abordar, mas vale a pena ser descrita, de qualquer forma.
Foi uma tarde de tomadas de precauções de segurança, organizações e de refutar estudos sobre as emoções e seu impacto sobre a cultura, literatura, pintura, música, inovações em muitos âmbitos. Encriptei alguns de meus monólogos, teses e pesquisas que ainda me satisfazem como um leitor; tomei medidas sobre minha privacidade online nas quais me garantiram uma sensação leve de me sentir mais a vontade para esboçar minhas ideias, refutações e deduções. Li também o estudo do professor inglês de literatura Erik Wilson, sobre o impacto negativo na nossa atual sociedade na busca incansável pela felicidade e o refutei principalmente pelo argumento bem objetivo dele sobre os séculos XVIII e XIX, em que se o nosso consumismo e materialistamo, parafraseando o mesmo, fosse presente nos séculos citados, não teríamos tantas obras primas nas áreas que mencionei acima. Hoje os que são considerados e apreciados por muitos como gênios - bom, pessoas singulares nas suas respectivas áreas - não teriam tido tanto êxito nas suas empreitadas porque estariam condicionados ao consumismo abismal e a busca incessante pela felicidade. Eu, aqui para expressar meu enjeitar sobre esse argumento, palavras que não foram transcritas, mas apenas pensadas. Não é necessário jogo de palavras bem pensados, argumentos fundamentados em acadêmicos e estudos prolongados, pois se trata de emoções e o impacto dela em nossas vidas e futuras predições. E eu, como um assíduo analisador de fatos e do comportamento humano, fica evidente que a felicidade é de extrema importância. Tenho que admitir que em alguns pontos eu mesmo me sinto contraditório, porque é bem claro que toda a nossa vida é feita de transformações, ou seja, mudanças. E assim também ocorre com o ser/sentir felicidade. Ao mesmo tempo, eu experimentei os efeitos de ser feliz por um período razoavelmente longo, não se comparado a uma vida inteira, mas sim ao tempo em que as mudanças são exigidas pelo acaso, escolhas, moral, desapegos atemporais. Essa é a única contradição, na qual eu aceitei como uma incógnita, pois não irei entrar em debate por ter sido feliz por um longo tempo. Então, retornando um pouco às questões de contestar os argumentos de um literário, em qualquer época, tendo nossos recursos ou não, sendo consumistas ou não, tendo pouca ou muita ganância, etc, são pontos irrelevantes quando se trata de obras primas genuínas da nossa mente singular. A genialidade é inerente. Isso é irrefutável.
Fica claro como ter respostas é essencial para uma mente que necessita de ocupações a cada segundo, nas quais eu as consigo com subterfúgios bem direcionados, na verdade de um modo geral. Com certeza eu posso ter atingido mentes perspicazes e teimosas por esse longo caminho literário no qual eu habito em mais da metade da minha vida, mas sei que foram feridos nos lugares certos, já que os fizeram refletir sobre suas próprias verdades.
A música, a literatura, a arte, a cultura são primordiais na vida de um solitário. Necessitamos de alimentação para nossa psique. Eles são um cordão de náilon entre a sanidade e a loucura. Esses componentes são a ponte mais alta e sensível que podemos alcançar para aceitar as regras da sociedade que excluem qualquer tipo de variação inofensiva de comportamento e opiniões. Em um mundo de conspirações e empanturrado de auto-denominados donos, a arte, em todas as suas vertentes, se finca como um ponto crucial para a saúde e a pureza que, novamente, está inerente em nossa alma - no conceito mais moderno da palavra, mesmo que o sentido que quero passar as vezes tenha que beliscar um pouco o sentido de psique (alma) para os antigos gregos.
O meu dia ainda será um pouco longo. Sem pretenções, é claro, o que é muito bom, porque ao escrever isso me sinto apto à surpresas.
Embalado pela música de Of Monster And Men, com seu promissor e posteriormente concretizado álbum de 2012 chamado My Head Is An Animal, estou aqui para compartilhar mais sobre as reflexões moribundas de solidão na rotina apática em que me encontro e vivo a um longo período.
Caracteristicamente, hoje também foi outro dia atípico, ou melhor, algumas horas atípicas, porque levei muito tempo para conseguir adormecer na madrugada passada, o que me levou a acordar um pouco tarde no dia em que estou relatando tais pensamentos. Bombardeado novamente por pesadelos, nos quais, comumemente têm ocorrido, lembro-os vagamente após acordado, mas o que não me impossibilita de sentir o choque de ter sido algo forte e em suas beiradas de lapsos, traumático. Essa não é a questão em si que quero abordar, mas vale a pena ser descrita, de qualquer forma.
Foi uma tarde de tomadas de precauções de segurança, organizações e de refutar estudos sobre as emoções e seu impacto sobre a cultura, literatura, pintura, música, inovações em muitos âmbitos. Encriptei alguns de meus monólogos, teses e pesquisas que ainda me satisfazem como um leitor; tomei medidas sobre minha privacidade online nas quais me garantiram uma sensação leve de me sentir mais a vontade para esboçar minhas ideias, refutações e deduções. Li também o estudo do professor inglês de literatura Erik Wilson, sobre o impacto negativo na nossa atual sociedade na busca incansável pela felicidade e o refutei principalmente pelo argumento bem objetivo dele sobre os séculos XVIII e XIX, em que se o nosso consumismo e materialistamo, parafraseando o mesmo, fosse presente nos séculos citados, não teríamos tantas obras primas nas áreas que mencionei acima. Hoje os que são considerados e apreciados por muitos como gênios - bom, pessoas singulares nas suas respectivas áreas - não teriam tido tanto êxito nas suas empreitadas porque estariam condicionados ao consumismo abismal e a busca incessante pela felicidade. Eu, aqui para expressar meu enjeitar sobre esse argumento, palavras que não foram transcritas, mas apenas pensadas. Não é necessário jogo de palavras bem pensados, argumentos fundamentados em acadêmicos e estudos prolongados, pois se trata de emoções e o impacto dela em nossas vidas e futuras predições. E eu, como um assíduo analisador de fatos e do comportamento humano, fica evidente que a felicidade é de extrema importância. Tenho que admitir que em alguns pontos eu mesmo me sinto contraditório, porque é bem claro que toda a nossa vida é feita de transformações, ou seja, mudanças. E assim também ocorre com o ser/sentir felicidade. Ao mesmo tempo, eu experimentei os efeitos de ser feliz por um período razoavelmente longo, não se comparado a uma vida inteira, mas sim ao tempo em que as mudanças são exigidas pelo acaso, escolhas, moral, desapegos atemporais. Essa é a única contradição, na qual eu aceitei como uma incógnita, pois não irei entrar em debate por ter sido feliz por um longo tempo. Então, retornando um pouco às questões de contestar os argumentos de um literário, em qualquer época, tendo nossos recursos ou não, sendo consumistas ou não, tendo pouca ou muita ganância, etc, são pontos irrelevantes quando se trata de obras primas genuínas da nossa mente singular. A genialidade é inerente. Isso é irrefutável.
Fica claro como ter respostas é essencial para uma mente que necessita de ocupações a cada segundo, nas quais eu as consigo com subterfúgios bem direcionados, na verdade de um modo geral. Com certeza eu posso ter atingido mentes perspicazes e teimosas por esse longo caminho literário no qual eu habito em mais da metade da minha vida, mas sei que foram feridos nos lugares certos, já que os fizeram refletir sobre suas próprias verdades.
A música, a literatura, a arte, a cultura são primordiais na vida de um solitário. Necessitamos de alimentação para nossa psique. Eles são um cordão de náilon entre a sanidade e a loucura. Esses componentes são a ponte mais alta e sensível que podemos alcançar para aceitar as regras da sociedade que excluem qualquer tipo de variação inofensiva de comportamento e opiniões. Em um mundo de conspirações e empanturrado de auto-denominados donos, a arte, em todas as suas vertentes, se finca como um ponto crucial para a saúde e a pureza que, novamente, está inerente em nossa alma - no conceito mais moderno da palavra, mesmo que o sentido que quero passar as vezes tenha que beliscar um pouco o sentido de psique (alma) para os antigos gregos.
O meu dia ainda será um pouco longo. Sem pretenções, é claro, o que é muito bom, porque ao escrever isso me sinto apto à surpresas.
terça-feira, 8 de maio de 2018
Tranquilidade em Meio ao Caos
09/05/2018 - 01:15
Me senti inclinado a vir e esboçar um pouco do que em muitas ocasiões do meu dia me fazem sentir-se afogando, onde literalmente necessito respirar fundo para retomar minha sobriedade sobre a realidade num todo. Prestes a completar doze horas desde minha última transcrição e, mesmo não tendo tido acontecimentos dignos de serem expressados ou escritos, novamente, tive a propensão de estar agora na total escuridão do meu quarto com uma música melancólica e lenta, compartilhar mais um pouco do que está dentro de mim e de como tenho lidado com todo o redemoinho sorvedoiro que habita minha mente.
O dia passou particularmente mais rápido do que os últimos que eu tenha notado. Posso afirmar, olhando de uma forma clínica, razoável e até mesmo saudável para a condição humana regrada na sociedade atual, que foi mais um dia desperdiçado. E a controvérsia dessa afirmação é que pra mim foi um dos dias mais dignificantes que tive em meses. Não é difícil de deduzir o porque. Os meus pensamentos ficaram calmos, um tanto anestesiados de forma natural, onde eu consegui conciliar e alimentar meu intelecto com aprendizados sobre o comportamento humano, uma leitura filosófica existencialista leve do início do século XX, uma distração corriqueira por três vezes em um intervalo total de sete a oito horas (mais ou menos); alimentação regrada, o que imagino ter sido um fator positivo para a minha sobriedade durante esse dia. Aprendi muitas coisas hoje. Coisas singulares que já estão criando suas raízes em minhas faculdades mentais e que virão futuramente a serem aplicadas em diversas situações arbitrárias no convívio social que me aguarda. É isso, a esperança, mesmo que quase apagada, ainda deixa suas frestas no vago túnel sem fim de escuridão que é meu futuro.
Como ressaltei, não teve nada digno a ser compartilhado aqui nesse dia que está quase se encerrando para mim, mesmo agora me lembrando sobre um contato que tive para um novo contrato de trabalho, se assim posso chamar. Algo que vindo a se concretizar me ajudará na questão financeira em manter a casa e tudo que é necessário para se ter uma vida em poucos metros quadrados. Ainda aguardo a confirmação desse contrato, de qualquer forma é um acontecimento que também mereceu minha ressalva mais detalhada. Como se sabe, em uma vida de solidão e isolamento, uma quase misantropia, vamos assumir, uma infinitesimal mudança já deve ser encarada de forma positiva, pois reacende certos transmissores cerebrais à atenção, ao que possibilita uma abrangência para o pensamento mais astuto, talvez mais natural e objetivo.
Se a morte me alcançar, seria de grande júbilo para minha memória que minha mente está demasiada inquieta e mesmo assim eu tenho conseguido achar um equilíbrio romântico, poético, literário, formal e autêntico para escrever, ler, ouvir, ver, estudar e até mesmo sonhar.
Acrescentando a essa prosa supracitada, os barulhos que rodeiam a minha moradia são um empecilho grande demais para serem ignorados. Todos tem suas predisposições ao barulho e muitas vezes isso afeta a todos que os rodeiam. Mas eu, essencialmente, sofro um pouco mais com essa turbulência. A tendência da minha localidade atual é grande para tais acontecimentos, isso não vai mudar, eu sei disso, mas eu também não conseguirei aceitar e seguir em frente; em meus relicários mentais ela jamais vai se adaptar a poeira em alguns pontos e a constante examinação minuciosa em outros.
Me senti inclinado a vir e esboçar um pouco do que em muitas ocasiões do meu dia me fazem sentir-se afogando, onde literalmente necessito respirar fundo para retomar minha sobriedade sobre a realidade num todo. Prestes a completar doze horas desde minha última transcrição e, mesmo não tendo tido acontecimentos dignos de serem expressados ou escritos, novamente, tive a propensão de estar agora na total escuridão do meu quarto com uma música melancólica e lenta, compartilhar mais um pouco do que está dentro de mim e de como tenho lidado com todo o redemoinho sorvedoiro que habita minha mente.
O dia passou particularmente mais rápido do que os últimos que eu tenha notado. Posso afirmar, olhando de uma forma clínica, razoável e até mesmo saudável para a condição humana regrada na sociedade atual, que foi mais um dia desperdiçado. E a controvérsia dessa afirmação é que pra mim foi um dos dias mais dignificantes que tive em meses. Não é difícil de deduzir o porque. Os meus pensamentos ficaram calmos, um tanto anestesiados de forma natural, onde eu consegui conciliar e alimentar meu intelecto com aprendizados sobre o comportamento humano, uma leitura filosófica existencialista leve do início do século XX, uma distração corriqueira por três vezes em um intervalo total de sete a oito horas (mais ou menos); alimentação regrada, o que imagino ter sido um fator positivo para a minha sobriedade durante esse dia. Aprendi muitas coisas hoje. Coisas singulares que já estão criando suas raízes em minhas faculdades mentais e que virão futuramente a serem aplicadas em diversas situações arbitrárias no convívio social que me aguarda. É isso, a esperança, mesmo que quase apagada, ainda deixa suas frestas no vago túnel sem fim de escuridão que é meu futuro.
Como ressaltei, não teve nada digno a ser compartilhado aqui nesse dia que está quase se encerrando para mim, mesmo agora me lembrando sobre um contato que tive para um novo contrato de trabalho, se assim posso chamar. Algo que vindo a se concretizar me ajudará na questão financeira em manter a casa e tudo que é necessário para se ter uma vida em poucos metros quadrados. Ainda aguardo a confirmação desse contrato, de qualquer forma é um acontecimento que também mereceu minha ressalva mais detalhada. Como se sabe, em uma vida de solidão e isolamento, uma quase misantropia, vamos assumir, uma infinitesimal mudança já deve ser encarada de forma positiva, pois reacende certos transmissores cerebrais à atenção, ao que possibilita uma abrangência para o pensamento mais astuto, talvez mais natural e objetivo.
Se a morte me alcançar, seria de grande júbilo para minha memória que minha mente está demasiada inquieta e mesmo assim eu tenho conseguido achar um equilíbrio romântico, poético, literário, formal e autêntico para escrever, ler, ouvir, ver, estudar e até mesmo sonhar.
Acrescentando a essa prosa supracitada, os barulhos que rodeiam a minha moradia são um empecilho grande demais para serem ignorados. Todos tem suas predisposições ao barulho e muitas vezes isso afeta a todos que os rodeiam. Mas eu, essencialmente, sofro um pouco mais com essa turbulência. A tendência da minha localidade atual é grande para tais acontecimentos, isso não vai mudar, eu sei disso, mas eu também não conseguirei aceitar e seguir em frente; em meus relicários mentais ela jamais vai se adaptar a poeira em alguns pontos e a constante examinação minuciosa em outros.
Um Brinde Silencioso a Misantropia
08/05/2018 - 14:05
Regredi aos primórdios da solidão e isolamento. Meu novo local de hibernação mental ainda não tem nome, como da última vez que me desviei de tudo fora de um cômodo pequeno e triste, intitulado, na época, de fortaleza de risos e choro. Não vou me apegar a nomenclaturas por enquanto. As diferenças estão na tecnologia. Hoje tenho isso a meu favor. Um notebook de última geração, um celular que atende as minhas necessidades obsessivas e uma internet burlada a meu favor, porém não eficaz como eu gostaria. No entanto, estou mais receptivo do que na minha última fase de isolamento, então um mero detalhe como a velocidade de uma conexão wi-fi não chega a ser um empecilho.
Outra grande diferença das fases de solidão é a minha criatividade. Na primeira, eu a tinha a meu favor, tinha também a ansiedade gritante, a vontade de ser tudo e nada ao mesmo tempo; hoje, sou apático na maior parte do dia e triste nas horas restantes. Claro, há dias que essa equação dividida do meu dia se invertem e são nesses momentos que o desespero toma conta. Para alguém como eu, onde desde os meus 13 anos todas as sensações e emoções são de uma intensidade exorbitante, chegar aos dias atuais e se deparar com uma rotina que o mais predominante é a apatia, está sendo um grande dilema.
A questão que de fato está clara como sendo um incômodo para meu intelecto, é não saber exatamente o que estou sentindo e refletindo na minha rotina monótona. Antes, o problema de querer ser tudo e nada ao mesmo tempo eu conseguia me acostumar e, inconscientemente, aceitava por dias buscar ser algo na vida: um escritor, alguém perspicaz na arte da dedução, um aspirante a músico, um conselheiro muito bom, modéstia à parte - isso para citar alguns exemplos mais evidentes em minha memória. Hoje eu não nego, em pequenos momentos tenho anseios de mudanças e sutis aspirações de importância para minha pessoa, digamos que uma pequena necessidade de ser notado por algo brilhante que saia de mim de alguma forma. Porém, esses anseios que antes duravam dias, as vezes dias incontáveis, atualmente eles dificilmente ultrapassam os minutos. E notei a sensação após essas pequenas aspirações: é um cansaço e um pequeno desdém sobre tal. De fato não sei dizer o porque dessa alternância abrupta de, enunciemos, uma vida saudável à obsoleta prostração.
A mais recente mudança digna de menção, são os pesadelos. Tive alguns dias que o melhor, sem sombra de dúvidas, para meu estado mental no dia em si era dormir longas horas na esperança de que ao acordar, com uma mente descansada, os pensamentos tristes ou até mesmo a apatia teria se modificado de alguma forma. Nunca, em hipótese alguma, usei ou pensei sobre o sono como uma cura da apatia, sempre foi encarado como um curativo, que talvez a partir dele eu conseguiria formular novos pensamentos que me tirariam daquele torpor intelectual que me aprisionava.
Nos dias atuais eu também tenho uma nova preocupação: o tempo, mais especificamente a idade. Em pequenos relapsos onde minha mente é levada ao futuro, me sinto sufocado com a ideia de finalmente me entender e encontrar meu caminho tarde demais e ter deixado uma vida inteira ter passado entre meus dedos.
Antigamente eu também tinha a falha de me cobrar mais do que deveria. Nunca existiu um crítico e um rígido professor para mim do que eu próprio. Agora, no ano de 2018, eu não me pleiteio com tanto afinco.
O que dizer sobre onde e como estou? É um quarto mal arquitetado, onde tive que adaptar os móveis de forma rudimentar e que mesmo após quase 8 meses enclausurado aqui, é um local que ainda não atende minhas predições mentais em prol da melhoria e o avanço de minhas faculdades mentais. Mas eu sei que também podemos encontrar avanços em meio ao caos, senão, em alguns casos, somente nele. Provavelmente se um pouco da minha criatividade da primeira fase de isolamento voltasse, eu conseguiria transformar esse lugar um pouco mais promissor, talvez mais estimulante, como uma distração, uma ponte para que minha mente tenha o foco exato para que eu consiga novamente aprender a dar meus primeiros passos no mundo. Ficarei grato se isso acontecer.
Enfim, me auto examinando após essa última estrofe transcrita, direcionando meu olhar para a janela fechada do quarto, na claridade da tarde entre os vãos, sinto os olhos pesados, um olhar triste e desanimado. Voltamos a apatia e a sua arqui-inimiga tristeza numa altercação que parece interminável.
Regredi aos primórdios da solidão e isolamento. Meu novo local de hibernação mental ainda não tem nome, como da última vez que me desviei de tudo fora de um cômodo pequeno e triste, intitulado, na época, de fortaleza de risos e choro. Não vou me apegar a nomenclaturas por enquanto. As diferenças estão na tecnologia. Hoje tenho isso a meu favor. Um notebook de última geração, um celular que atende as minhas necessidades obsessivas e uma internet burlada a meu favor, porém não eficaz como eu gostaria. No entanto, estou mais receptivo do que na minha última fase de isolamento, então um mero detalhe como a velocidade de uma conexão wi-fi não chega a ser um empecilho.
Outra grande diferença das fases de solidão é a minha criatividade. Na primeira, eu a tinha a meu favor, tinha também a ansiedade gritante, a vontade de ser tudo e nada ao mesmo tempo; hoje, sou apático na maior parte do dia e triste nas horas restantes. Claro, há dias que essa equação dividida do meu dia se invertem e são nesses momentos que o desespero toma conta. Para alguém como eu, onde desde os meus 13 anos todas as sensações e emoções são de uma intensidade exorbitante, chegar aos dias atuais e se deparar com uma rotina que o mais predominante é a apatia, está sendo um grande dilema.
A questão que de fato está clara como sendo um incômodo para meu intelecto, é não saber exatamente o que estou sentindo e refletindo na minha rotina monótona. Antes, o problema de querer ser tudo e nada ao mesmo tempo eu conseguia me acostumar e, inconscientemente, aceitava por dias buscar ser algo na vida: um escritor, alguém perspicaz na arte da dedução, um aspirante a músico, um conselheiro muito bom, modéstia à parte - isso para citar alguns exemplos mais evidentes em minha memória. Hoje eu não nego, em pequenos momentos tenho anseios de mudanças e sutis aspirações de importância para minha pessoa, digamos que uma pequena necessidade de ser notado por algo brilhante que saia de mim de alguma forma. Porém, esses anseios que antes duravam dias, as vezes dias incontáveis, atualmente eles dificilmente ultrapassam os minutos. E notei a sensação após essas pequenas aspirações: é um cansaço e um pequeno desdém sobre tal. De fato não sei dizer o porque dessa alternância abrupta de, enunciemos, uma vida saudável à obsoleta prostração.
A mais recente mudança digna de menção, são os pesadelos. Tive alguns dias que o melhor, sem sombra de dúvidas, para meu estado mental no dia em si era dormir longas horas na esperança de que ao acordar, com uma mente descansada, os pensamentos tristes ou até mesmo a apatia teria se modificado de alguma forma. Nunca, em hipótese alguma, usei ou pensei sobre o sono como uma cura da apatia, sempre foi encarado como um curativo, que talvez a partir dele eu conseguiria formular novos pensamentos que me tirariam daquele torpor intelectual que me aprisionava.
Nos dias atuais eu também tenho uma nova preocupação: o tempo, mais especificamente a idade. Em pequenos relapsos onde minha mente é levada ao futuro, me sinto sufocado com a ideia de finalmente me entender e encontrar meu caminho tarde demais e ter deixado uma vida inteira ter passado entre meus dedos.
Antigamente eu também tinha a falha de me cobrar mais do que deveria. Nunca existiu um crítico e um rígido professor para mim do que eu próprio. Agora, no ano de 2018, eu não me pleiteio com tanto afinco.
O que dizer sobre onde e como estou? É um quarto mal arquitetado, onde tive que adaptar os móveis de forma rudimentar e que mesmo após quase 8 meses enclausurado aqui, é um local que ainda não atende minhas predições mentais em prol da melhoria e o avanço de minhas faculdades mentais. Mas eu sei que também podemos encontrar avanços em meio ao caos, senão, em alguns casos, somente nele. Provavelmente se um pouco da minha criatividade da primeira fase de isolamento voltasse, eu conseguiria transformar esse lugar um pouco mais promissor, talvez mais estimulante, como uma distração, uma ponte para que minha mente tenha o foco exato para que eu consiga novamente aprender a dar meus primeiros passos no mundo. Ficarei grato se isso acontecer.
Enfim, me auto examinando após essa última estrofe transcrita, direcionando meu olhar para a janela fechada do quarto, na claridade da tarde entre os vãos, sinto os olhos pesados, um olhar triste e desanimado. Voltamos a apatia e a sua arqui-inimiga tristeza numa altercação que parece interminável.
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