Terça-feira, 25 de Dezembro de 2018
Já não sei se existo...
Sinto em meu cerne a morte prematura.
Há longos meses perdi a capacidade de ver cores. O mundo, as coisas, as pessoas são puramente acizentados.
Nada existe? Esse colchão que me recosto; essa manta que cobre minhas pernas; até mesmo essa caneta que não consegue aconpanhar meus pensamentos - existem? Sou apenas uma penumbra escassa que insiste inspirar e expirar.
Me recordo à minha bela caligrafia; do capricho que me dedicava à cada letra. Hoje, minha solidão não me permite mais sequer apurar-me uma palavra na outra. Sinto que nada mais importa; que o que um dia pensei ser vida, nada mais era do que um sonho deslumbrante.
Esse pessimismo me prostrou no isolamento. Não quero mais estar entre os homens.
Penso em suicídio. Mas eu não estaria ainda mais solitário na morte do que estou nesse ócio que se repete e em que estou? Se não existo, o que é a morte, então?

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